terça-feira, 15 de abril de 2008

QUEM TEM MEDO DE COMPACTADORES

Quando se fala o termo compactador, a maioria dos usuários de computador não sabe exatamente do que se está falando. Não há pesquisas - que eu conheça - sobre isso mas há muitos anos que converso com conhecidos e alunos sobre o tema e percebo que existe muita desinformação nesta área.

A começar pelo termo, a palavra compactador lembra aqueles maquinários gigantes de ferro-velho, que transformam carros em caixinhas de metal, ou então pensa-se em compactadores de lixo, normalmente se associa a palavra com reciclagem ou diretamente com lixo.

Na informática, compactador não tem nada a ver com lixo ou reciclagem, trata-se de um tipo de programa que permite reduzir o tamanho dos arquivos. O mais conhecido, entre as diversas opçõesexistentes é o formato ZIP, criado em 1986 por Philip W. Katz. Para mais detalhes sobre o criador e sua criação recomendo o excelente artigo no link a seguir:

http://catalisando.com/infoetc/452.htm

Atualmente existem tantos formatos e programas de compactação e descompactação que seria muito difícil citar todos sem precisar escrever uma enciclopédia, só as versões do ZIP (originalmente PKZIP) já formariam uma lista bastante extensa.

A boa notícia é que a maioria dos compactadores vem atualmente embutida em sistemas operacionais, em programas diversos e até mesmo em servidores da Internet.

A má notícia é que são tantas as opções que em muitos casos instala-se a confusão entre os usuários, muitos arquivos compactados já se perderam justamente porque quem os recebeu não soube fazer o processo inverso, a descompactação que permitiria recuperar o arquivo original. Os motivos são vários, que começam por nem saber que se trata de um arquivo compactado ou não ter o programa adequado para executar o procedimento.

Mais a frente vou falar sobre alguns programas.

PARA QUE SERVE A COMPACTAÇÃO?

A compactação de arquivos serve a inúmeras atividades e está presente na maioria dos equipamentos eletrônicos, de forma invisível e transparente.

Por exemplo, o caro leitor sabia que filmes, fotos e sons podem ser compactados?

Termos conhecidos como MP3 ou MP4 não são apenas nomes de aparelhinhos que quase todos carregam por ai, ouvindo suas músicas e sons preferidos. Na verdade antes de começarem a dar nome aos populares aparelhos eram apenas as siglas de processos de compactação.

Acontece que uma compactação MP3 (para som) ou MP4 (para som e video) não é normalmente feita por usuários comuns e mesmo quando são feitas, ocorrem de forma transparente, sendo que os aparelhos que executam depois a descompactação e transformam em áudio e video também o fazem de forma transparente, o usuário não precisa fazer absolutamente nada, apenas apertar um botão.

A compactação ocorre para reduzir o tamanho dos arquivos necessários para que se reproduza o som e o vídeo e isso explica porque um CD comum costuma ter no máximo umas 20 e poucas músicas e um CD MP3 pode ter mais de 200 músicas.

Quando a compactação é bem feita nosso ouvido nem mesmo consegue perceber a diferença entre um som executado por um aparelho MP3 ou por um aparelho comum. Claro que ouvidos treinados ou sensíveis seriam capazes de perceber, mas são raras as pessoas que tem este dom, a maioria não consegue perceber.

No caso de compactação de video já é possível notar a diferença, quanto maior for a compactação, menor a qualidade final do video exibido e em muitos casos percebe-se as falhas na exibição, notadamente nos casos em que vídeos de um filme inteiro é compactado de forma a caber em um CD comum, os chamados VCD ou Video CD.

Outro lugar onde a compactação se aplica é nas fotos digitais. A grande maioria das câmeras digitais gravam seus arquivos em um formato com a extensão JPEG ou JPG, ambos significam a mesma coisa e a sigla é originária do termo em inglês: Joint Photographic Experts Group, que em uma tradução livre, significa: Grupo de especialistas em fotografia.

Este grupo foi quem definiu as regras para compactação de imagem e a partir de suas conclusões o JPG passou a ser um padrão mundial.

Graças a este processo e a outros que vieram depois, uma imagem fotográfica que poderia ocupar um espaço gigantesco passou a caber em um espaço menor.

Da mesma forma, arquivos de computador que poderiam ocupar espaços gigantescos passam a ocupar espaços menores e isso é especialmente útil em transmissões via Internet, onde o tamanho do arquivo pode fazer muita diferença.

E os compactadores não servem apenas para reduzir o tamanho dos arquivos, também permitem organiza-los. Isso é especialmente útil em procedimentos de backup (preservação de arquivos)  onde não basta reduzir o tamanho, também é preciso organizar.

Não é foco desta matéria explicar os processos ou entrar em detalhes técnicos, mas deixo claro que os procedimentos de compactação implicam em cálculos matemáticos complexos e que normalmente são integrados a programas ou diretamente a equipamentos, que vem com estes programas embutidos nas parte física, em um procedimento chamado Firmware.

Possivelmente, o leitor já conhece os termos Hardware e Software, sendo que o primeiro costuma ser a parte física dos equipamentos e o segundo a parte lógica, que contém os códigos necessários para um equipamento funcionar. O Firmware é um termo que significa basicamente hardware + software, ou seja, um equipamento que já vem com o código de execução embutido, desde a fábrica. Um exemplo claro são os aparelhos MP3 ou MP4, mas um aparelho de DVD também vem com seu Firmware, de fábrica. Em muitos casos o Firmware pode ser atualizado, o que significa que se houver mudanças nos sistemas existentes é possível atualizar o aparelho sem precisar trocar tudo.

QUAIS SÃO OS PROCESSOS DE COMPACTAÇÃO?

São muitas as opções existentes, desde que o PKZIP se tornou popular, surgiram milhares de processos diferentes e as siglas se multiplicaram, gerando uma enorme confusão.

Cada processo tem vantagens e desvantagens em relação aos demais e a escolha de qual deles deve ser utilizado deve ser baseada em conhecimentos específicos e avançados, tanto que para o usuário comum o ZIP continua a ser a opção mais adequada, devido principalmente a grande quantidade de programas capazes de interpretar ou gerar uma compactação neste formato.

O formato ZIP ficou tão popular que gerou até mesmo equipamentos que não são necessariamente compactadores, como é o caso do ZIP disk, um hardware criado pela empresa Iomega e que por algum tempo pretendeu substituir os famosos disquetes de computador. Quase teve sucesso e se tornou bastante popular, mas com o advento das mídias mais baratas representadas pelo CD, depois DVD e atualmente o BlueRay o Zip Disk simplesmente entrou para o limbo. Alguns ainda o utilizam mas a verdade é que o Zip Disk virou peça de museu, assim como o disquete.

Para o usuário comum é preciso saber que existem duas CATEGORIAS de processo, apenas duas:

Categoria 1: A que modifica o arquivo original, causando uma perda de informação.

Categoria 2: A que não estraga o arquivo original, permitindo a sua total recuperação.

Na categoria 1, a que modifica o arquivo estão os já citados MP3, MP4 e o próprio JPG.

Na categoria 2 está o formato ZIP.

Certamente tem uma pergunta na mente dos mais curiosos: Quer dizer que as fotos que tiro com minha câmera não são originais?

A resposta é sim, As fotos de sua câmera digital não são arquivos originais, os arquivos são modificados ao serem convertidos (diretamente pelo Firmware da câmera) para o formato JPG ou qualquer outro que ela utilize, exceto um formado, chamado RAW e que não é um formato compactado.

RAW não é uma sigla, é um termo do inglês, que poderia ser traduzido como "crú" e não é um formato totalmente padronizado, cada fabricante pode ter o seu.

Nem toda câmera digital tem a opção de gravar as imagens em RAW, isso é mais comum em câmeras profissionais, onde a qualidade máxima faz alguma diferença.

Usar este formato não é simples, normalmente é preciso um software da câmera para ler este formato e o tamanho é muito maior do que o popular JPG e o ganho de qualidade só é visível no uso estritamente profissional.

Não significa que o formato JPG não possa ser utilizado profissionalmente, na verdade a maioria dos profissionais também ignoram o RAW, uma vez que é de difícil manipulação.

Tentarei explicar como é essa coisa de "mudar sem perder".

Suponha que você escreveu um texto e quem em seu texto existam palavras que se repitam muitas vezes.

Uma das técnicas mais simples de compactação constitui em substituir estas palavras por representações menores, por exemplo a palavra "árvore" poderia ser substituída pelo número 1, a palavra "natureza" poderia ser substituída pelo número 2.

Como os números 1 e 2 gastam menos espaço para serem armazenados do que as palavras, em um texto em que houvesse muitas repetições de "árvore" e "natureza" haveria um razoável ganho de espaço.

Evidentemente se houver os números 1 e 2 no texto eles precisam também receber um código para não serem confundidos, um algoritmo no programa costuma cuidar destes detalhes.

Ao aplicar tal regra, para se recuperar o texto original bastaria usar um programa que fizesse o contrário, ou seja substituísse os códigos pelas palavras. O resultado final seria um arquivo exatamente igual ao arquivo original.

O que os programas de compactação fazem é basicamente isso, descobrem nos arquivos quais são as ocorrências de um padrão de repetição e as substituem por um outro padrão.

É fácil imaginar o gigantesco trabalho de lógica que é necessário para fazer isso e é exatamente o que acontece nos programas de compactação e descompactação, há um gigantesco trabalho de processamento, que foi criado por gênios da matemática.

Só que uma imagem, ou som, ou ambos, no caso de video + som não são tão simples de lidar quanto um texto. Nestes casos o processo é ainda mais complexo e o resultado final pode não ser exatamente a mesma imagem, o mesmo som, o mesmo video, embora este resultado seja muito próximo do original.

No caso de imagens, quando temos um céu muito azul que predomine em uma foto, ou um fundo enorme, da mesma cor o que o JPG faz é informar que existe um padrão de repetição e em muitos casos isso gera um arquivo infinitamente menor, para ser armazenado. Na hora de reproduzir a imagem apenas o padrão repetido é refeito.

Não é tão simples na prática, quanto parece na explicação, cada pixel (ponto) em uma imagem tem diversas informações associadas a ele, tais como brilho, cor, densidade e muito mais.

O fato é que se compactamos um texto ele vai voltar exatamente como digitado, mas uma foto ou som volta com ligeira modificações, normalmente imperceptíveis a nossos olhos ou ouvidos.

E a quantidade de mudanças permitidas é variável, quando vamos compactar para o formato JPG, por exemplo é informada uma taxa de compressão, em um valor percentual. Quanto menor a taxa, menor o arquivo e menor a qualidade final.

Espero não ter entediado o leitor com tantos esclarecimentos técnicos, mas sem um mínimo de conhecimento nesta área não dá pra entender (e por isso pouca gente entende) a utilidade da compactação.

Relembrando... há basicamente dois tipos de compactação, com perda de informação e sem perda de informação e isso é a única coisa que o leitor precisa saber e - naturalmente - se informar a qual categoria pertence seu programa, na hora de escolher o que vai usar para compactar.

ESCOLHENDO UM PROGRAMA DE COMPACTAÇÃO

Programas de compactação tem detalhes técnicos bastante específicos e é possível definir qual deles usar se houver muito conhecimento destes detalhes.

Como a maioria das pessoas não tem este conhecimento, até porque não é necessário,.costuma-se escolher os programas como se escolhe um time de futebol para torcer... por acaso e depois apaixona-se pelo time e passa a desprezar os outros.

O formato ZIP é o "time" que está vencendo, embora existam muitos outros compactadores com mais capacidade e qualidade, mas ZIP é que nem "Banco do Brasil", tem em qualquer canto.

No Windows XP tem ZIP, mas ele fica tão escondido que poucos sabem da sua existência. Já o Windows Vista vem com este compactador mais destacado.

Vou recomendar apenas um único compactador, não porque ele seja o melhor ou porque eu goste mais dele, mas se fizermos uma análise de custo benefício, sem levar em conta as preferências pessoais de cada um o programa mais adequado para compactar e descompactar no dia-a-dia é o 7ZIP, notem que ele traz no nome a palavra ZIP, mas isso não quer dizer que ele apenas trabalha com este formato.

A segunda melhor característica do 7ZIP é que trabalha com todos os formatos mais populares de compactação, ou seja, é capaz de ler arquivos gerados por diversos outros programas e isso é um diferencial e tanto quando se fala de compactadores.

A primeira melhor característica é que se trata de um programa de código aberto, ou seja, gratuito, free, 0800. Sinal dos tempos, onde bons programas não custam mais em nosso bolso.

Para pegar a versão mais recente do 7ZIP o ideal é ir direto no site do fabricante, que fica em: www.7-zip.org. O site tem opção de visualização em português do Brasil e o programa tem um excelente manual que ensina os segredos da compactação.

Claro que você pode continuar a usar seu programa favorito, mas se o mundo da compactação é uma novidade, então recomendo fortemente que comece por este programa.

O QUE PODE SER COMPACTADO E O QUE NÃO PODE?

É uma pergunta difícil de responder, devido a diversidade de arquivos que existem.

Mas basicamente podemos assumir algumas regras e definir alguns dos tipos mais simples de arquivos que podem ou não ser compactados.

Na lista dos que "podem" estão:

* Textos, de qualquer tipo. São os mais fáceis de compactar;
* Planilhas e bancos de dados;
* Programas executáveis;
* Backups em geral.

Na lista do "não pode" estão:

* Arquivos que já estejam compactados;
* Arquivos protegidos ou codificados;

Notem que coloquei "pode" ou "não pode" entre aspas, porque não é uma regra, na verdade vale tudo quando se trata de compactação, mas se algumas pequenas regras de bom senso não forem seguidas então o processo deixa de ser confiável.

Imagens, sons e vídeos não são bons candidatos a compactação porque normalmente já são arquivos compactados, mas não significa que não se possa juntar várias imagens ou vários sons em um arquivo compactado por outro processo. Há vantagens em fazer isso, como por exemplo poder enviar várias imagens em apenas um arquivo, através da Internet.

FALANDO DE FOTOGRAFIA E COMPACTAÇÃO

Algumas pessoas reclamam, as vezes, que meus textos são muito grandes e compreendo-as, vivemos em um mundo da velocidade e da falta de tempo.

Complementando este artigo eu gostaria de falar sobre a importância de tratar as imagens digitais, que são tão utilizadas em nosso dia-a-dia, mas neste caso o texto vai se agigantar.

Sendo assim, volto a tratar deste assunto nesta mesma coluna, mas só na semana que vem, prometo uma aula completa sobre como a compactação interfere no tratamento das imagens e como é importante saber lidar com elas.

Até lá recomendo que baixem dois programas que considero essenciais para lidar com imagens, um deles eu já recomendei em meu primeiro texto e o outro recomendo agora. Ambos são gratuitos e essenciais em qualquer computador de quem se proponha a lidar com imagens digitais.

Os programas são:

Irfan View: www.irfanview.com

Picasa2: www.picasa.google.com

Até a próxima coluna, quem ficar com pressa sinta-se a vontade para me enviar um email ou preferencialmente discutir o assunto na lista de discussão, criada especialmente para atender a esta coluna.

terça-feira, 8 de abril de 2008

DISCUSSÕES ON LINE

Antes de ir para o assunto principal, gostaria de fazer uma homenagem pessoal ao ator Charlton Heston, que faleceu na noite deste sábado, 06/04/2008, aos 84 anos.

Sempre que me perguntam qual meu ator preferido a resposta sempre foi (e continuará sendo) Charlton Heston.

Se me perguntarem qual o mais canastrão a resposta será idêntica, pois Heston era tão bom que até sua canastrice funcionava.

Vi Heston receber uma deliciosa homenagem no filme "Quanto mais idiota melhor, parte 2" (Wayne´s World 2). Na cena aparece um atendente de posto de gasolina e o protagonista "reclama" que o coadjuvante é muito ruim e pede outro, então colocam o Charton Heston ... é hilária a cena e uma justa homenagem a um ator que causava impacto até mesmo vestido de macacão de atendente de posto de gasolina.

Também vi Heston em uma das piores cenas que certamente já filmou, ou seja, quando permitiu que Michael Moore o entrevistasse para o filme Columbine. Moore humilhou o ator, que tem convicções a respeito de uso de armas, praticamente Moore colocou todas as culpas do mundo nas costas de Heston, que saiu cabisbaixo da entrevista, sem poder refutar o que lhe foi mostrado.

O que se pode dizer de um homem que foi Moisés, que foi Ben Hur, que foi a "Última Esperança da terra", apenas para citar alguns de seus filmes mais emocionantes.

Heston sempre dava uma certa grandiosidade a seus personagens, na referida comédia a sua aparição de alguns segundos não passa desapercebida e as reverências que são feitas pelos atores/diretores de "Wayne´s World" são mais do que merecidas e felizmente foram feitas em vida.

Quando um ator se vai, fica o seu trabalho, ele passa a ser mais valorizado e mesmo quando era um trabalho medíocre passa a ter outro status. Heston pode ter sido tudo, menos medíocre, viveu uma vida grandiosa, teve um trabalho grandioso e certamente deixa saudades.

E será, eternamente, meu ator preferido pois deu a arte de interpretar um outro enfoque.

FALANDO DE TECNOLOGIA E INFORMÁTICA

Evidentemente quis citar Heston na coluna de hoje porque sou fã declarado de seu trabalho, mas o tema que escolhi para comentar tem muito a ver com o trabalho de Heston, especialmente no que diz respeito a minha introdução ao mundo da Discussão On Line.

Meu primeiro contato com os chamados Grupos de Discussão (também conhecidos como Listas de Discussão) é bastante anterior ao evento Internet, que chegou ao Brasil apenas em 1995.

Um dos principais usos do BBS, acrônimo da frase em inglês: "Boletim Board System", ou seja Sistema de Quadro de Boletim foram os Grupos de Discussão, locais onde as pessoas lançavam um assunto e os demais podiam comentar.

Estes Grupos eram divididos por assunto, ou seja, havia Grupos de Discussão para praticamente tudo, bastava alguém se propor a administrar um Grupo e o responsável pelo BBS liberava a estrutura e o espaço.

O primeiro Grupo que tive coragem de Administrar era justamente de cinema, foi criado em 1987 no BBS Inside, que depois se transformou no primeiro provedor de Internet particular do Brasil, era administrado por Charles Miranda, Sysop (Operador de Sistema) de primeira linha e amigo pessoal até hoje.

Os BBS não existem mais, nem mesmo os Provedores de Internet particulares existem mais, salvo algumas excessões foram todos absorvidos pelas grandes corporações, embora tenham sido responsáveis pelo início da Internet no Brasil. Muitas leis foram criadas pra evitar isso mas não adiantou nada, hoje os provedores são praticamente todos ligados as empresas de telefonia, algo que foi prometido - exaustivamente - evitar, mas na prática não aconteceu.

Mas vou deixar pra lá as promessas de governos e instituições e falar dos Grupos de Discussão.

Um Grupo de Discussão é formado basicamente por pessoas interessadas em um determinado assunto, basta que uma primeira pessoa crie o Grupo, defina o tema e a partir daí pode chamar seus amigos para participar do grupo.

Nos tempos do BBS bastava ser sócio de qualquer BBS e solicitar ao SYSOP a criação de um grupo, foi assim que fiz com meu Grupo de Cinema, que chama-va CINEVIDEO e começou com 4 participantes.

Este grupo ainda existe, completou 20 anos no ano passado (e nem lembrei de comemorar) e atualmente se encontra no Yahoo, com o mesmo nome de sua inauguração, CINEVIDEO, quem se interessar pelo assunto basta entrar no link logo abaixo e solicitar seu cadastro. É preciso ter uma conta no Yahoo para participar.

www.yahoogrupos.com.br/group/cinevideo

O sistema que hoje é utilizado pelo Yahoo foi o primeiro Grupo de Discussão na Internet com quem tive contato. Nem sempre foi um sistema do Yahoo, inicialmente tinha outro nome (que se perde na poeira virtual do passado) e mudou de dono duas vezes antes de ser comprado pelo Yahoo, que mantém o sistema exatamente com as mesmas características que tinha no início, embora as versões atuais sejam cheias de recursos novos e bastante interessantes.

O Google não ia ficar fora disso e criou o Google Groups (www.googlegroups.com) sendo que atualmente são os mais poderosos sistemas de Grupos de Discussão da Internet, mas não são os únicos, existem milhares de sistemas similares espalhados pela Internet, inclusive sistemas criados no Brasil, como o www.grupos.com.br.

Particularmente prefiro continuar fiel ao Yahoo Grupos, embora participe também de alguns grupos do Google e já tenha usado o sistema criado no Brasil (que não é o único). A razão de minha escolha não é técnica, apenas preferi não mexer em time que estava ganhando.

Discussões sobre qual é o melhor servidor de Grupos de Discussão são como discussões sobre qual o melhor tipo de computador, melhor Sistema Operacional, melhor time e assim por diante. Não terminam nunca e costumam ser despidas de qualquer lógica, cada um tem seus motivos e desconsidera argumentos. Por esta razão, não vou iniciar esta discussão, o melhor grupo é aquele em que a gente está e pronto.

QUANTO CUSTA?

Grupos de Discussão são, via de regra, serviços gratuitos, existem sistemas pagos e os sistemas gratuitos oferecem versões pagas, mas a não ser em casos de uso muito profissional um grupo gratuito atenderá bem a qualquer necessidade, independente da quantidade de usuários.

Há diversos grupos com mais de 10 mil participantes, mas este tipo de grupo costuma dar trabalho a quem participa deles, devido a possibilidade de ter muitas mensagens. Já participei de grupos com pouco mais de mil usuários e que geravam uma média diária de 500 mensagens ou mais, é muita coisa.

Meu grupo de cinema tem apenas 212 usuários, já teve mais de 1000 mas fiquei feliz por ter se reduzido o número de participantes pois agora há menos confusão e uma maior interação com os participantes. Conheço pessoalmente a quase todos e apesar de muitos morarem em cidades diferentes existe uma grande camaradagem entre os participantes, aliás neste grupo há até camaradagem demais, pois como quase todos se conhecem um novato costuma estranhar algumas conversas pois elas nem sempre se atem ao tópico principal.

O fato é que ninguém precisa gastar um tostão para participar ou ser proprietário de um Grupo de Discussão.

QUEM É O DONO?

O termo é esse mesmo: dono ou owner em inglês. Quem cria um Grupo passa a ser responsável por ele e é quem determina como será o mesmo, se serão permitidas mensagens fora do contexto (off topic), se podem circular anexos, enfim o "dono" é quem manda, tem inclusive o poder de suspender ou expulsar usuários que não estejam agindo de acordo com as regras.

Existem regras para cada tipo de sistema, tais como não criar grupos ligados a assunto ilegais ou de pornografia, se forem denunciados costumam ser sumariamente extintos e os donos podem até mesmo ser responsabilizados legalmente pelo conteúdo se este for considerado extremamente ofensivo. Não sei de casos em que proprietários de grupos tenham sido levados a prisão ou algo parecido, mas é fato que se as regras do local não forem cumpridas o Grupo é sumariamente eliminado.

As demais regras é o dono quem faz.

Em meu Grupo de Cinema só tem uma única regra, não contar finais de filmes ou cenas mais marcantes sem colocar antes um aviso de que o texto contém este tipo de informação. Normalmente estas informações são precedidas de um termo em inglês: "Spoiller", que significa mais ou menos "estragar o prazer", o termo vem da palavra "spoil", que significa estragar.

A punição para um Spoiller é normalmente ouvir a música "Teresinha de Jesus", cantada pelo Tiririca.

Mas cada grupo tem suas regras e nem sempre tem apenas um único dono, é possível delegar funções administrativas e isso é especialmente útil em Grupos com muitas pessoas, caso contrário o dono está "ferrado".

O dono de um grupo é o equivalente ao Sysop dos antigos BBS, ele determina tudo, cuida de promover e das tarefas administrativas, tais como aprovar novos usuários, verificar problemas com mensagens e até mesmo intervir quando as discussões assumem o sentido negativo da palavra.

O QUE SE DISCUTE?

Discutir não significa - necessariamente - brigar, significa trocar idéias e é exatamente isso que se faz em um Grupo de Discussão, troca-se idéia sobre todos os temas ou apenas sobre um tema específico.

Alguns grupos são extremamente restritos e não permitem qualquer tipo de fuga do contexto para o qual foi criado. Há grupos em que apenas o dono ou pessoas com status adequado podem escrever, neste caso os demais participantes apenas recebem as mensagens, mas neste caso não se pode discutir e perde-se uma das melhores finalidades deste tipo de sistema, que é a multiplicidade de opiniões e interação entre os participantes.

O nome correto de um Grupo onde não se pode responder as mensagens diretamente é Grupo de Distribuição e neste caso eu recomendo muito mais um sistema de BLOG, mas há diversas situações onde um Grupo de Distribuição é bastante útil ou desejável, não vou entrar em maiores detalhes pois o objetivo deste texto não é ser didático, mas sim apresentar um serviço da Web, um dos mais comuns.

COMO CRIAR OU PARTICIPAR DE UM GRUPO?

Participar de Grupos de Discussão é muito simples. Normalmente é preciso fazer antes um cadastro no sistema que oferece o Grupo, no caso do Yahoo ou do Google, basta criar uma conta de email gratuita e já poderá se inscrever em qualquer grupo aberto. Os grupos fechados dependem de autorização do proprietário dos mesmos.

Todos os bons sistemas de Grupo de Discussão tem uma ferramenta de busca que permite listar os Grupos, por categoria, então se a pessoa está interessada no tema Arqueologia, poderá encontrar facilmente Grupos ligados ao assunto.

Se não existir um Grupo sobre o Assunto desejado basta o interessado criar o seu próprio Grupo. Dá um pouco mais de trabalho pois é preciso preencher um formulário, mas é coisa de alguns minutos e em seguida o Grupo estará pronto para ser usado, basta chamar mais amigos para participar.

Meu primeiro Grupo na Internet foi o INFOETC, criado por Carlos Alberto Teixeira em 1996, justamente quando ele escreveu um texto apresentando os Grupos de Discussão aos Internautas. O INFO é de Informática e o ETC é porque na época o grupo foi criado associado ao caderno de informática do jornal O Globo, que se chama INFO ETC. O grupo não tinha qualquer relação com o jornal, tratava-se de uma iniciativa particular e em determinada época chegou a causar problemas para o colunista, que me passou a administração do mesmo, ou seja, fui dono do INFOETC por uns tempos, tive total liberdade para fazer algumas coisas que resolveram os problemas (especialmente de ego dos participantes) e o devolvi ao legítimo criador. O grupo INFOETC ainda existe, tem atualmente 383 usuários e ao contrário dos primeiros tempos, de brigas homéricas, existe hoje um espírito de camaradagem muito grande entre os participantes.

Para ilustrar todo o processo, vou repetir a ação do meu amigo CAT e criar um novo Grupo de Discussão, com o nome RPOL, ou seja, Ribeirão Preto On Line. Da mesma forma que o Info Etc, será um grupo sem vínculo direto com este jornal on line.

A temática será livre, ou seja é um Grupo onde todos os assuntos serão bem-vindos e dele participa quem quiser, tanto os leitores desta coluna quanto qualquer pessoa que gostar do nome e quiser se arriscar.

Para entrar no Grupo RPOL basta ter uma conta no Yahoo e entrar no endereço www.yahoogrupos.com.br/groups/rpol, no local há todas as instruções e informações para quem nunca participou de um grupo.

Outra forma bem mais simples de entrar é enviar um email para um endereço que cada grupo divulga, este email será respondido com um pedido de confirmação e ao responder o pedido a pessoa estará automaticamente inscrita no Grupo. O email não precisa ser do sistema Yahoo, mas é aconselhável a pessoa ter uma conta no Yahoo para poder usar todos os recursos disponíveis para um grupo, tal como participar de enquetes e muitos outros serviços, todos gratuitos.

O endereço para entrar no Grupo RPOL é rpol-subscribe@yahoogrupos.com.br.

COMO SE SAI DE UM GRUPO?

Sair de um grupo é ainda mais fácil que entrar, basta entrar na página do Grupo e clicar numa opção de SAIR DO GRUPO, ou então enviar um email para um endereço específico, muito parecido com o de pedir para entrar, no caso do RPOL seria: rpol-unsubscribe@yahoogrupos.com.br. O procedimento seria o mesmo de entrada, o Yahoo envia um email de confirmação e a pessoa estará imediatamente fora.

Só existe um porém que precisa ser lembrado. Para o pedido de descacastramento é preciso usar a mesma conta de email que recebe as mensagens do grupo, se for usada outra conta o pedido não vai ter efeito.

Também pode ser solicitado ao proprietário do Grupo que faça o descadastramento diretamente, a maioria dos proprietários não gosta de fazer isso, especialmente por questões de segurança, afinal qualquer um pode pedir para descacastrar outra pessoa e seria complicado para o proprietário fazer o processo de verificação, por este motivo o pedido direto deve ser utilizado apenas como última opção.

COMO PARTICIPAR

A participação em um Grupo de Discussão é bastante simples.

O interessado passa a receber emails do grupo e pode optar por responde-los ou não. Quando responder a sua resposta não irá para apenas uma pessoa, mas sim a todos os participantes do grupo, que, por sua vez, poderão dar continuidade - ou não - aquele tópico.

Usar um Grupo de Discussão é como usar email, a diferença é que não se conversa mais com apenas uma pessoa, mas com um grupo.

Quem participar do RPOL poderá - por exemplo - dar continuidade a este texto, lançar dúvidas ou depoimentos.

Poderia falar também do ator Charton Heston, a quem fiz uma pequena homenagem logo no início ou então perguntar de onde saiu a caricatura do ator, embora eu mesmo responda a esta pergunta, antes que seja feita.

A caricatura do Charton Heston foi feita por este escrevinhador, trata-se de um hobby que venho desenvolvendo há algum tempo. Ela é feita utilizando um plugin do programa Photoshop a partir de uma foto. Há mais exemplos de caricatura no site www.centraldesites.net/caricaturas.

Quem desejar continuar esta conversa basta entrar no Grupo RPOL.

terça-feira, 1 de abril de 2008

GERAÇÃO VÍDEOGAME

O juiz Carlos Alberto Simões, da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, decidiu, ainda em Outubro de 2007, proibir o uso de dois jogos de computador, assim como sua venda em todo o território nacional. A decisão demorou a ser aplicada e seus efeitos se fizeram sentir apenas no inicio de 2008 e na data em que este texto é escrito está em pleno vigor.

Os jogos proibidos são Counter Strike e Everquest, sendo que o primeiro é um dos mais populares jogos de tiro, campeão absoluto de uso nas lan houses de todo o pais.

A justificativa para o ato pode ser resumida nas próprias palavras do juiz, em uma das várias entrevistas que passou a dar, depois que sua decisão passou a ser aplicada: "os jogos trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado".

Fora ter me ensinado o significado da palavra imanente (favor olhar no dicionário, como eu fiz) esta decisão e esta explicação não tem qualquer utilidade prática, uma vez que proibir dois jogos não muda em nada o fato de que continuarão a ser jogados a partir de cópias piratas e nos computadores particulares. O que se criou, foi apenas mais uma forma de punir as lan houses que decidirem não cumprir a ordem. Também prejudica-se, de forma arbitrária, os fabricantes e representantes dos jogos em questão, uma vez que existem diversos outros, com o mesmo teor e que não foram proibidos.

Se este juiz levasse realmente a sério o que afirma, o correto seria proibir todos os jogos similares. Na continuidade seria previsível trazer de volta a censura ao pais, salvando-se, assim, a sociedade de tantos vilões, mantendo a coerência com o ponto-de-vista que este juiz nos impõe, do alto do cargo que ocupa.

Esta discussão tem a idade dos jogos de computador, pois desde o primeiro momento em que armaram o Pac-man, vozes se levantaram esclarecendo que as crianças seriam contaminadas pela violência e pela maldade. Estas vozes me lembram a voz do ex governador de Nova Iorque, que perdeu seu cargo recentemente por uma conduta imoral, contrária as leis que ele próprio defendia com unhas e dentes.

A hipocrisia se perde na própria aplicação da medida, diz-se que é proibido vender o jogo mas não se proíbe que seja jogado, nem que uma lan house deve deletá-lo, pois na "prática" o jogo deve apenas ser proibido para menores. É tão confuso que nem me atrevo a comentar mais, o que fica claro é que se trata de uma decisão inócua, do ponto de vista do objetivo inicial da mesma.

Não conhecia o jogo Everquest, então fiz uma pequena pesquisa para saber mais sobre ele e talvez entender o que levou o mesmo a ser um dos escolhidos. Trata-se de um jogo on line, em que personagens da fantasia lutam o tempo todo para efetuar conquistas e pelas imagens que pude ver o jogo tem o clima da obra de Tolkien, que ficou recentemente conhecida pela trilogia "O senhor dos anéis", sucesso das telas do cinema.

Não seria o caso de proibir também os filmes e os livros de Tolkien?

Ironias a parte, fica claro que se o jogo Everquest não tem conteúdo adequado então há diversos outros que também não tem, poupo-me de citá-los pois pode ser que algum outro juiz - que na falta do que fazer - resolva seguir a dica.

Já o jogo Counter Strike eu conheço muito bem, cheguei até a iniciar o desenvolvimento de um cenário para o mesmo, inspirado por outros excelentes cenários criados no Brasil, um na cidade de Curitiba, outro na cidade de São Paulo e outro no Rio de Janeiro, sendo este último o mais famoso.

No cenário CS-RIO temos a simulação de uma favela carioca, com belas paisagens da natureza e o Cristo Redentor tomando conta do cenário de fundo. Na história o jogador pode escolher ser um policial ou um terrorista e a missão de cada um é defender ou manter reféns que foram sequestrados e levados para a favela.

Algumas músicas que tocam durante o jogo podem até ser interpretadas como inadequadas, mas se forem ouvidas sob a ótica do bom senso, o que se verá é que não passam de músicas, que brincam com a dura realidade.

O que se faz durante o jogo vem da opção particular de cada um, alias não vejo neste jogo qualquer diferença das brincadeiras que eu próprio fazia quando era criança. Meus amigos e eu pegávamos cabos de vassouras ou revólveres de brinquedo e qualquer terreno baldio, construção ou a própria rua viravam um cenário de guerra onde fazíamos exatamente o mesmo que as crianças de hoje fazem em Counter Strike.

E no exército me obrigaram justamente a fazer a mesma coisa, mas com armas de verdade e certamente correndo riscos bem maiores.

Em 2005 administrei uma Lan House e não precisei de ordem nenhuma de juiz para solicitar aos pais que autorizassem quais jogos seus filhos podiam ou não jogar. Qualquer jogo que contivesse um mínimo de violência só seria liberado se os pais autorizassem pois a princípio, quem decide o que é bom ou não para seu filho é o pai, não creio que os juízes estejam em melhor posição que eles para saber o que é nocivo ou não a formação de uma criança.

A noção do certo e errado não pode ser dada se mostramos apenas um dos lados, parodiando uma música do Lulú Santos, não se pode entender o que representa a luz se não formos apresentados ao escuro, ou entender o que é o som se não conhecermos o silêncio.

Na minha opinião um jogo como Counter Strike tem a finalidade de estabelecer quais os parâmetros existentes dentro dos diversos cenários que apresenta. O que está em jogo ali é a eterna luta do bem contra o mal, na verdade uma forma - como qualquer outra - de apresentar a uma pessoa opções que ninguém deveria precisar ver de verdade, para entender.

Critica-se a violência no jogo, mas o que se faz para mudar a violência real? Esquecendo que o jogo apenas reproduz algo que já existe desde que o mundo é mundo, o ser humano não é e jamais foi um ser pacífico, a violência é imamente ao ser humano e é preciso dar as pessoas as opções de conhece-la e de saber como controla-la e não apenas fingir que ela não existe.

GTA - REALIDADE NAS TELAS DO MICRO

Um outro jogo muito polêmico e que já foi proibido em vários paises (curiosamente passa desapercebido no Brasil) é o GTA, acrônimo para Grand Theft Auto, que poderia ser livremente traduzido como GRANDE LADRÂO DE CARROS.

A primeira versão do GTA foi lançada em 1997, sem maiores pretensões e mais do que a qualidade dos gráficos e a inovação em jogabilidade o jogo chamou atenção por mostrar na tela algumas questões que ainda hoje não são bem aceitas.

Em GTA o jogador pode fazer o que achar melhor, pode roubar carros, pode atirar nas pessoas, atropela-las ou pode simplesmente ser o Sr. Certinho, como ocorre em um comercial bem recente da Coca-Cola, que usa o jogo como pano de fundo.

Toda a campanha da Coca-Cola, baseada no GTA pode ser vista em:

http://www.cocacola.com.br/ray.do?page=loadRayHome

Evidente que a Coca Cola não ia arriscar sua marca ligando-se a um jogo polêmico, sem antes consultar especialistas em várias áreas e se uma grande empresa consegue perceber este lado bom, porque então os "entendidos" em leis não conseguem chegar a mesma conclusão? Alias muito já fariam se cuidassem de assuntos mais importantes, ao invés de buscar auto-promoção a partir de ações hostis contra jogos inócuos.

As duas primeiras versões do GTA, que foram proibidas em diversos países, podem ser baixadas gratuitamente, direto do site do fabricante:

http://baixaki.ig.com.br/download/Grand-Theft-Auto.htm

http://baixaki.ig.com.br/download/Grand-Theft-Auto-2.htm

A partir do sucesso destes primeiros jogos os criadores criaram a empresa Rockstar Games e partiram para a primeira versão em 3D do mesmo jogo. A mudança foi radical, dos gráficos vistos de cima das versões iniciais o jogador passa a ter visão em primeira pessoa e as ações possíveis se ampliam.

A premissa do jogo é mantida, a decisão sobre se vai ser um vilão cruel ou não é apenas do jogador.

Já foram veiculadas reportagens em diversos veículos onde se faz a ligação das ações deste jogo com ações reais, alegando-se que o jogo induz pessoas a praticarem tais ações. Só que estes veículos, muito convenientemente, se esquecem - SEMPRE - de informar que antes do jogo existir (na verdade antes de computadores existirem) tais ações já eram praticadas.

O jogo não criou a violência, apenas as reproduz e isso não vem pronto é preciso que alguém controle o personagem e o leve a praticar tais ações.

Nunca vi um qualquer reportagem sobre GTA divulgar que no jogo pode-se dirigir um carro de bombeiros e apagar incêndios, ou uma ambulância, que irá socorrer pessoas, um carro da polícia ou um simples táxi. Mas isso está lá e é bem interessante, também é possível fazer como o personagem Ray (da Coca-Cola) e ao invés de cometer crimes, simplesmente combate-los, questão de quem está jogando fazer a escolha.

Existem jogos que se propõe a simular a vida real, como o SIMs, que são indicados para crianças. Sinceramente, eu prefiro um filho meu jogando GTA onde a vida aparece em todas as suas nuances do que jogando SIMs, onde uma vida fantasiosa induz ao consumo desenfreado e trata assuntos importantes como o sexo e relacionamentos, de forma tão idiota que certamente pode causar mais danos a formação do que um jogo onde estes relacionamentos são mostrados de forma mais realista, com ação e efeito.

Claro que GTA e todos os demais jogos onde a violência está presente, podem causar dano sim. Isso acontece se não forem devidamente compreendidos ou se forem jogados por pessoas que já tenham um precedente anti-social.

Aquele jovem que pegou uma metralhadora e atirou nas pessoas em um shopping de São Paulo alegou que agiu inspirado em um filme mas isso é só parte da história. O jovem tinha antecedentes médicos que indicavam bipolaridade e mesmo assim seus pais permitiram que o mesmo fosse tentar cursar uma faculdade de medicina, onde evidentemente o estresse poderia perturbar ainda mais sua mente delicada. Culpar um filme pelo seu ato insano é ignorar a quantidade absurda de estímulos que todos temos.

Para cada maluco que se "inspira" em um jogo, livro ou filme há toda uma legião de pessoas sãs, que assistem os filmes, jogam ou lêem sabendo perfeitamente a diferença entre a realidade e a fantasia e aproveitando o conhecimento que a fantasia pode nos proporcionar.

Já tentaram demonizar as histórias em quadrinhos e até mesmo os desenhos de Walt Disney já foram alvo de críticas, onde pessoas em busca de promoção pessoal tentam provar que são danosos a infância, claro que os jogos de computador tinham que ser alvos destes "guardiões da sanidade".

As gerações que trocaram o pião e a bola de futebol pelas telas do computador precisam ser mais respeitadas, cabe aos pais e as pessoas investidas do poder legal, criarem métodos efetivos de ampliar a educação e o conhecimento, reduzir a pobreza e as desigualdades, pois estes sim são métodos eficientes de melhorar a sociedade e o ser humano, os jogos de computador apenas vão acompanhar as tendências e não defini-las.

Alguém já pensou que se jogos de computador tivessem esse poder todo, esta geração deveria estar andando pelas ruas vestidas com a capa de Matrix, portando metralhadoras portáteis e atirando no que não concordassem?

Não é isso que acontece, eventualmente um maluco faz isso, mas ao invés de ser considerado a excessão que sempre foi, há quem defina o ato como a nova tendência e ao invés de buscar esclarecer tenta culpar os jogos de computador, mais ou menos como aquele marido que ao descobrir a esposa traindo-o no sofá da sala, se livra do sofá e considera que resolveu o problema.

terça-feira, 25 de março de 2008

PERIGO ON LINE

Na semana passada, ao discorrer sobre a beleza de relacionamentos virtuais, em determinado ponto, informei que a mídia em geral costuma demonizar a Internet e associar tais problemas ao serviço de Internet e não a fragilidade do ser humano.

Como não se tratava do tema principal, não me aprofundei o suficiente no assunto e recebi alguns comentários de amigos, sobre estar tratando da questão com superficialidade, afinal existem perigos, sim, na Internet.

Existem, concordo plenamente, assim como existe perigo em viajar e sofrer um acidente ou em escorregar no banheiro e sofrer uma lesão, apenas não podemos culpar as estradas, os carros e os banheiros, o perigo ronda sempre quem não estiver preparado.

E na Internet é fácil não estar preparado, afinal os sistemas operacionais e os programas permitem o fácil acesso e conexão mas não verificam se a pessoa ligou seu melhor "equipamento"... o bom senso.

Costumo ver pessoas digitarem senhas muito simples, tais como a data de seu aniversário ou sequências numéricas facilmente identificáveis ou então pessoas que utilizam senhas complexas mas usam a mesma senha para tudo, não percebendo que em determinados lugares sua senha pode ficar exposta e se for a mesma senha do banco. a conta bancária também pode ficar facilmente exposta.

OS BANCOS

O campeão dos sistemas que deixam as pessoas com medo de usar são os acessos bancários via Internet, há farto noticiário de golpes, de clonagem de cartões e outros, mas tais notícias raramente informam que os bancos investigam sempre o que aconteceu e a pessoa apenas será prejudicada se ficar comprovado que houve inconsequência de sua parte, tal como entregar a senha ao boy da empresa, solicitar que ele vá retirar dinheiro e acreditar que ele não cairá na tentação de tirar um pouquinho ou apenas passar a senha a terceiros, que se encarregarão de fazer o serviço.

Quem julga que não ativando os sistemas bancários estará livre engana-se ainda mais pois um golpista esperto pode ativar o sistema apenas estando de posse do CPF (nem todos os bancos permitem isso, mas alguns permitem) e alguns outros dados do correntista, que são muito fáceis de conseguir.

Os sistemas de bankline vieram para nos ajudar, não se pode fugir deles ou utilizá-los com irresponsabilidade, é preciso conhecê-los, aprender a lidar com eles e utilizá-los a nosso favor.

Evidentemente, todos os cuidados não deixam uma pessoa livre de ser atacada por um golpe, mas quem tem que se preocupar com as proteções, defesas e ações posteriores após ser constatada uma invasão é o banco e não o usuário. Este último tem apenas que ficar atento ao que faz e principalmente não usar senhas com a data do seu próprio aniversário.

ONDE SE ENCONTRAM OS DADOS?

Muitas pessoas reclamam da facilidade em encontrar dados de pessoas na Internet, digita-se um CPF e pronto, aparecem várias informações da pessoa na tela, entra-se no Orkut e tem-se a ficha de um cidadão, completa, escrita por ele mesmo.

É preciso usar a Internet com critério, ao usar serviços públicos como MSN ou ORKUT é preciso ter em mente que as informações ali contidas podem ser interpretadas e analisadas por um golpista mais malandro.

Ao colocar inocentes fotos da família e o endereço de casa no Orkut, pode-se estar facilitando a vida de um sequestrador, dar informações a estranhos (ou mesmo conhecidos) sem ter certeza da identidade e moralidade da pessoa com quem se conversa pode ser o correspondente a "entregar o ouro ao bandido".

Nada de evitar usar Orkut ou MSN, pelo contrário, são serviços úteis e interessantes, mas é preciso algum critério no que se informa. Por exemplo, qual a necessidade de colocar o número do telefone, ou endereço, para aparecer no seu perfil? Se é importante informar telefone ou endereço, use um número de celular e não coloque o endereço completo, apenas a cidade e o bairro já são suficientes.

Para quem continua achando que mesmo não usando alguns serviços na Internet terá a privacidade garantida então tente acessar www.lili.com e lá digite seu próprio nome ou o de um amigo e surpreenda-se, o site informa telefone e endereço de muitas pessoas, apenas digitando o nome das mesmas.

O site já foi impedido de funcionar mas voltou ao ar e aparentemente ainda não conseguiram impedir que disponibilize tais informações. No entanto, é possível solicitar ao website que retire o nome de uma pessoa, será necessário comprovar que se trata da pessoa em questão.

E mesmo que tais sites sejam proibidos haverá outros, quem compra um serviço de consulta ao SPC/SERASA, por exemplo, poderá levantar a ficha de qualquer pessoa, apenas digitando seu CPF e nem queiram saber a quantidade de informações sobre nós nos arquivos da polícia, que não são disponibilizados na Internet, mas nada impede que um policial corrupto faça tal pesquisa por dinheiro.

E não é só, ao assinar uma revista ou serviço, uma pessoa pode ter seus dados divulgados, basta um vazamento no banco de dados.

PROTEGENDO-SE

Assim como há milhares de situações que nos agridem ao usar (ou não) a Internet, há soluções simples de proteção.

A mais elementar é não usar seu próprio endereço ou telefone quando preencher dados, mas muitas vezes isso não é permitido (em um curriculum, por exemplo) e neste caso é sempre bom utilizar o celular ou um endereço de correspondência, que pode ser do trabalho ou uma simples caixa postal, que pode ser comprada na agência mais próxima de correio.

Ao conversar usando a Internet é preciso ter cuidado com o que se diz, especialmente em lugares públicos, pois se o usuário avisa que vai viajar no final de semana pode estar deixando uma informação valiosa para um criminoso.

Um dos mais conhecidos perigos são os virus de computador (que podem ter vários nomes) mas é impressionante como as pessoas deixam de ter cuidados elementares, tais como não acreditar em mensagens fantasiosas que prometem prêmios fabulosos ou mesmo mensagens de "alerta" que na verdade fazem exatamente o contrário do que prometem.

A regra é uma só... na dúvida não abra anexos e se não tiver dúvidas também não abra... não vale a pena.

Anexo só de mensagem totalmente identificada, previamente avisada e combinada, o mais correto seria não usa-los profissionalmente, até mesmo porque o anexo de email não pode ser seguro, uma vez que o email também não é.

COMO? O EMAIL NÃO É MAIS SEGURO?

Nunca foi!

O protocolo que permite o envio dos emails, normalmente conhecido como SMTP pode ser facilmente modificado, é possível uma pessoa passar por outra sem saber sequer a senha do email. Não pretendo entrar em detalhes sobre como isso pode ser feito, justamente para não incentivar que pessoas tentem fazê-lo apenas por diversão, mas creiam-me, email nunca foi uma ferramenta segura, assim como o telefone não é adequado para efetuar fofocas ou malandragens.

Ops... mas nem todo email tem que ser inseguro, existem diversas formas de tornar um email e até mesmo um anexo de uma segurança exemplar, isso é obtido a partir de combinações de senhas e outros procedimentos, há farta documentação e informação sobre isso na própria Internet, basta procurar por criptografia.

O QUE MAIS É INSEGURO?

Tudo e ao mesmo tempo... nada! O computador deste escrevinhador não pega vírus ou qualquer outro tipo de praga desde que foi adquirido e o anterior a ele passou uns 10 anos invicto. E meu uso de Internet é pesado, as vezes passo 24 horas conectado.

Se tivermos os devidos cuidados, raramente deixaremos furos.

E ONDE APRENDER A SE PROTEGER?

As técnicas de proteção são encontradas em livros, sites, cursos e palestras e não devem ser ignoradas. Tendo em mente que os verdadeiros gênios da Informática costumam estar bem empregados e não se prestam a perder tempo com atividades ilegais sobram uns poucos "gênios do mal", mas infelizmente eles costumam ter muitos seguidores, que não sabem nem mesmo o que fazem, mas são capazes de seguir um tutorial ensinando a praticar delitos.

Mas não precisa ficar "googlando" se quer aprender a se proteger o endereço mais provável de funcionar é este:

http://cartilha.cert.br/

Este site é mantido pela entidade que regulamenta os domínios no Brasil e neste local há uma cartilha completa sobre como se proteger,

A melhor proteção continua sendo o bom senso e o conhecimento.