terça-feira, 18 de março de 2008

RELACIONAMENTOS NADA VIRTUAIS

Após o advento da Internet, a sociedade descobriu que precisava aprender a lidar com um novo formato de comunicação, a comunicação virtual, ou seja: os chamados Chats, comunicadores expressos, e-mail, blogs e tantas outras opções, baseadas ou não no uso do texto, já que atualmente pode-se usar som e imagem com muita facilidade. Inclusive já proliferam os mundos virtuais, onde a pessoa é representada por um avatar e praticamente pode recriar sua vida num ambiente que na verdade só existe dentro de servidores cada vez mais sofisticados e na mente dos participantes.

Em alguns países já é comum a preocupação das autoridades com esta fuga da realidade, na qual mergulham crianças, jovens ou adultos, seja em sofisticados vídeo-games, sistemas on line ou apenas o prosaico MSN, que tem dominado o cenário mundial.

Um internauta que se considere minimamente informado dirá que essa febre começou em 1997, com a invenção do ICQ, que já foi o sistema dominante para a comunicação virtual direta, entre duas ou mais pessoas e acabou desbancado pelo MSN, clone criado pela gigante Microsoft e que hoje é mais conhecido por Windows Live Messenger.

Mas quem informar que começou ai, estará equivocado. Na verdade a comunicação virtual on line começou bem antes, nascendo praticamente junto com a própria Internet, nos EUA. Precisar datas seria inútil, pois em um primeiro momento, o sistema era restrito apenas a alguns grupos, inicialmente exclusividade dos militares dos EUA, posteriormente foi extendido ao meio acadêmico, também apenas nos EUA e só bem mais tarde começou a tomar o mundo.

A França foi um dos primeiros países a entender que o processo era interessante e inovou com um sistema bancado pelo governo, chamado Minitel e que integrou escolas e pessoas de uma forma nunca feita antes.

Mas engana-se também quem achar que os brasileiros ficaram muito atrás, pois ainda no início dos anos 80, o Brasil tinha um sistema similar ao Francês (na verdade era o mesmo, copiado descaradamente e com nome diferente) que foi batizado de Video Texto e junto com outros sistemas formou uma base de comunicação que poucos tiveram a oportunidade de conhecer, já que computadores não eram um artigo fácil e barato.

Mesmo assim era comum, ainda em 1985 existirem salas de bate-papo (chat) ao vivo com lotação de 50 pessoas e não era (felizmente) apenas uma, eram dezenas de salas, sempre cheias em determinados horários. Mesmo existindo poucos computadores no país, a procura era sempre superior a demanda e se uma ligação telefônica caísse dificilmente o azarado(a) conseguiria entrar novamente na sala.

O Vídeo Texto tinha - basicamente - tudo que podemos ver na Internet atual. Era possível enviar email, fazer compras, pesquisar preços, ver mapas e baixar milhares de programas ou temas. Claro que não era igual a hoje, pois tudo era muito limitado e restrito a algumas cidades mas estavam lá e a comunicação virtual entre pessoas também.

A comunicação virtual é muito anterior ao evento Internet, ou ao evento computador. "Cyrano de Bergerac", um dos mais conhecidos romances, fala justamente disso, da comunicação entre duas pessoas a partir de versos, poemas e textos que eram escritos por um narigudo muito inteligente, para que um bonitão, que era puro charme e pouca mente, poder conquistar uma amada. Vejam que não se trata apenas de um romance, o Cyrano existiu mesmo e foi contemporâneo da sua própria história, escrita por Edmond Rostand.

Do mesmo modo, existiram outras famosas duplas, mais conhecidas na história pelo teor de suas conversas, trocadas por correspondências que espantaram o mundo, só que, evidentemente, tinham um ritmo muito mais lento na época em que ocorreram. Um exemplo, são as correspondências trocadas entre Anaïs Nin e o escritor americano Henry Miller, que chocaram o mundo ao serem publicadas.

COMPLEXO DE BERGERAC

Por favor, não castiguem este pobre escrevinhador se tal complexo não existir. A idéia é informar como podemos ter (ou não) certeza do que iremos encontrar do outro lado da tela.

Assim como a bela Roxane não fazia idéia de que seu próprio primo era o autor das cartas pelas quais se apaixonou, não há como saber se aquele apanhado de letrinhas caprichadas informam exatamente a realidade.

Mas pobres dos mentirosos do mundo virtual, pois a este estarão relegados, por toda a eternidade. O final feliz do Cyrano não é a regra na Internet, pois sempre chega o momento que é preciso comprovar os anunciados olhos verdes, o corpo sarado e outras bobagens que as vezes se diz... na esperança de parecer um pouco melhor.

E isso faz muitas pessoas fugirem dos relacionamentos virtuais, auxiliadas pelo que se vê na mídia, onde são destacadas apenas as histórias mais lamentáveis de falsos tipos, que omitem, ou mentem descaradamente, sobre assuntos importantes.

Raramente se vê uma reportagem sobre os casos de amor que deram certo, sobre as amizades duradouras (algumas com mais que o dobro da idade da Internet) ou com todo tipo de relacionamentos, que simplesmente deixaram de ser virtuais e se tornaram reais. Ouve-se menos ainda sobre histórias de solidariedade que acontecem todos os dias, inclusive do tipo que salva vidas.

Falsidade sempre existiu e sempre vai existir, seja nas telas do computador ou na vida real. Ela é inerente ao ser humano e não a Internet. A vantagem do mundo virtual é que por saber da possibilidade e facilidade da mentira podemos ter mais cuidado. A regra é fazer como São Tomé.

O ERMITÃO

Voltando a citar aqueles que são tragados pelo mundo da virtualidade e acabam se isolando do mundo, trancafiados dentro da própria mente, com histórias macabras onde a pessoa simplesmente anuncia o próprio suicídio aos amigos virtuais ou se retiram da frente do computador apenas para mostrar a aversão ao mundo real... matando ou ferindo pessoas.

Não são "crias" da Internet ou dos computadores, são pessoas com problemas, são estas pessoas que levam seus problemas a Internet e não o contrário.

Mas é preciso um pouco de auto-consciência, comer demais nos torna obesos, dormir demais nos torna preguiçosos, mentir demais nos torna párias e certamente virtualizar demais irá nos causar algum tipo de problema, talvez todos os anteriores e alguns outros.

O Japão é um dos países onde o fenômeno têm se manifestado de forma mais intensa, especialmente entre adolescentes, que se fecham em seus quartos e passam a não sair para mais nada, já surgiram por lá clínicas especializadas em tratar este tipo de comportamento. Não é difícil constatar que isso venha a ocorrer em outros lugares. O mais provável é que a raiz dos problemas não esteja no que usam para fugir da realidade, mas sim a própria realidade. Cabe aos entendidos em comportamento, explicar e esclarecer.

Na outra face da moeda, encontra-se um remédio para outro tipo de solidão, a de pessoas que desejam conviver em grupo mas não podem, seja por uma enfermidade, por se encontrarem distantes dos locais mais agitados ou por qualquer outra razão, temporária ou não. Com a Internet e as ferramentas de comunicação disponíveis é possível minimizar estas situações e manter o contato diário com amigos distantes.

EXISTE AMOR E FELICIDADE NAS TELINHAS?

Existe! Claro que existe.

Este escrevinhador tem sobrinhas morando no Japão, a última vez que as vi eram do tamanho de seus atuais filhos, que só vi a partir de fotografias (enviadas pela Internet) ou por sessões de conversa com câmera. Uma delas voltou recentemente para o Brasil e no próximo mês verei a pequerrucha - pela primeira vez - no seu aniversário de 4 anos. Mas eu a vi crescer, acompanhei muitas coisas, pela telinha do micro.

Desta mesma forma, pais e avós podem matar a saudade de seus entes queridos, como por exemplo um filho que se encontra estudando no exterior, ou namorados e casais, que podem manter a chama do amor acesa, mesmo quando estão separados por grandes distâncias.

Uma conversa com os recursos atuais está muito próxima (as vezes mais próxima) do contato visual. Claro que não é a mesma coisa que o contato real, seria algo parecido como colocar duas pessoas separadas por uma parede de vidro, podem se ver, se falar, mas não podem se tocar (ainda não).

Em níveis mais simplificados, a comunicação ocorre apenas com texto e pode-se conversar até a exaustão. Neste caso a habilidade de se expressar com as letrinhas, pode fazer uma enorme diferença.

Mas e quando as pessoas ainda não se conhecem... será que ainda é possível surgir um amor?

Aí já não é possível responder com tanta certeza. Já vi e vivenciei situações em que existe um enorme calor na troca de letrinhas mas ao passar para o mundo real não acontece o tão falado "clima". Creio que nosso D. Pedro I passou por esta experiência, assim como a sua rainha, importada da Áustria e, provavelmente, Dona Leopoldina também não esperava encontrar um príncipe tão... digamos: pouco cavalheiro.

Só existe um único momento em que isso pode ser comprovado! Será na famosa hora, do primeiro encontro. Não se recomenda a ninguém que viaje da Áustria para o Brasil ou vice-versa na esperança de que o mundo real seja tão interessante quanto eram as conversas no MSN, porque o imprevisível pode acontecer, tanto para o bem, quanto para o mal.

Assim como muitos primeiros encontros são decepcionantes, na contrapartida há aqueles em que a realidade se torna ainda mais interessante e isso é muito mais comum do que se poderia esperar, não conheço pesquisas a respeito, mas conheço - particularmente - muitos casais que se conheceram assim.

Não seria um excelente tema para um pesquisador?

Isso não quer dizer que basta alguém entrar num site de relacionamentos e irá encontrar imediatamente sua outra metade da maçã. Mas com toda certeza é possível saltar algumas etapas, de todos os rituais de encontros, conhecidos da história da humanidade.

Em muitos casos, bastam algumas horas de conversa para se saber mais da vida de uma pessoa do que convivendo anos com ela, pelos processos tradicionais.

E não se deve confundir a busca de um parceiro ou parceira com o chamado sexo virtual, já que este é somente um formato eletrônico para uma prática antiga, que consiste em provocar a sexualidade a partir de imagens, textos e muita imaginação, coisa que existe desde que imprimiram o Kama Sutra.

Conhecer pessoas usando os novos meios de comunicação é uma arte, que precisa ser aprendida pois é tão nova que não tem paralelo com nenhuma outra.

Na troca de mensagens, de fotos e de imagens, sentimentos muito particulares podem ser despertados com algum exagero, já que a não existência do contato físico permite um maior controle de alguns sentimentos que podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso num encontro real. O que não se pode tirar da mente é o fato de que o encontro real precisa acontecer, para que o processo tenha continuidade. Apesar de todos os recursos existentes, um relacionamento virtual ainda é algo não usual ao ser humano.

Tenho visto namorados virtuais, casais virtuais até, mas não passam de encenações e em um determinado momento acontecem até mesmo as brigas virtuais e tudo volta a ser como antes, ou seja, o mesmo nada que sempre foi.

Já as amizades virtuais são bem mais promissoras de sobreviver neste mundo, hackers trocam informações, colecionadores trocam suas figurinhas, correspondentes trocam textos, enxadristas se divertem com seus jogos e podem passar toda uma vida sem nunca se encontrarem, porque seu objetivo principal não é este.

E quando os encontros entre amigos acontecem, costumam ser bem interessantes.Quem recebe alguém de muito longe costuma ser hospitaleiro mesmo que o visitante seja absolutamente estranho e traga um canguru na coleira, na verdade quanto maiores as contradições, maior será o "risco" da amizade se expandir.

Ou seja... o mundo virtual é muito interessante, amplia as possibilidades da existência e nada impede que se transforme em vida real. Quando alguém diz que a Internet está cheia de lixo, sempre respondo que uma única ação solidária, uma única informação importante ou um simples gesto de ternura, que podemos ver ao vivo, no momento em que acontece, como os primeiros passos de um bebê por exemplo, fazem valer todo o lixo, todos os pilantras e todos aqueles que não sabem usar com critério uma ferramenta tão útil.

segunda-feira, 10 de março de 2008

A REVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO

O amigo leitor ou amiga leitora já ouviram falar de EAD? Se ainda não ouviram, saibam que trata-se de uma abreviação para o termo: "Educação A Distância".

No Brasil, um dos sistemas mais antigos de EAD é fornecido pelo IUB, (Instituto Universal Brasileiro), que ainda oferece seus cursos, pelo mesmo processo ou através da Internet. No site www.institutouniversal.com.br, clicando em Escola/História pode-se encontrar informações interessantes sobre o EAD, como por exemplo: que o ensino por correspondência começou na Alemanha, ainda em 1890.

Desde então, milhares de empresas, escolas e universidades oferecem cursos que podem ser ministrados sem a presença do aluno.

Em 1977, por iniciativa da Fundação Roberto Marinho inaugurava-se o sistema Telecurso, que integrava transmissões de TV, apostilas vendidas em bancas de jornais e outros meios. Destinado inicialmente a facilitar as pessoas o acesso aos exames supletivos. Este autor foi diretamente beneficiado por este processo.

Atualmente as ofertas são muito melhores, já existem cursos superiores ou através de EAD e até é possível estudar em universidades no exterior, por este mesmo processo.

A grande revolução causada pela EAD é permitir que a educação - em qualquer nível - chegue a locais onde não seria possível levar uma estrutura para ensino de qualidade. Instituições como o SEBRAE disponibilizam cursos on line com altíssimo nível e estes cursos podem ser feitos no horário mais conveniente ao aluno e o melhor de tudo... são gratuitos.

E QUEM NÃO TEM INTERNET?

O Brasil está entre os primeiros do mundo em relação ao uso da Internet, mas ainda carece de muitos projetos de inclusão digital, que propicia acesso e conhecimento as pessoas de mais baixa renda, ou mesmo pessoas que - por qualquer motivo - não tiveram ainda contato com computadores ou Internet, mas caminhamos a passos largos para mudar isso.

Para fazer um curso de EAD não é preciso ter computador em casa e acesso a Internet, quando isso ocorrer, o mais apropriado é procurar locais que permitam a estrutura, sejam os lugares pagos (lan house, cyber café, etc) ou os gratuitos, em forma de centros de integração social, fornecidos por ONGS, empresas e entidades diversas.

Para as empresas é essencial criar um ambiente que permita a utilização deste conceito, não só para os diretores e funcionários mais graduados, mas principalmente para todos, uma vez que treinamento e capacitação são hoje a meta de qualquer empresa mais séria e uma das formas mais eficientes e baratas de se promover este o conceito é o EAD.

QUEM FORNECE OS CURSOS?

Teoricamente, qualquer pessoa que domine uma atividade poderia ministrar um curso via EAD, mesmo sem treinamento específico ou conhecimento de informática.

Naturalmente uma pessoa nestas condições teria que procurar ajuda profissional para poder estabelecer a estrutura, manutenção e acompanhamento do curso e já existe suporte especializado para isso, comunidades de EAD são encontradas facilmente no ORKUT, em listas ou sites que oferecem suporte especializado, como o www.eadbr.net, que se especializou não em fazer cursos, mas em prover a quem os faz, a necessária estrutura.

No exterior a oferta de cursos é impressionante e a maioria destes cursos é gratuita, mesmo os que são oferecidos por especialistas com muita projeção. Normalmente estes especialistas são pagos por instituições que tem interesse em divulgar a cultura e a educação, ou então vendem seus serviços a particulares e posteriormente os disponibilizam gratuitamente para atingir a um público maior.

No Brasil ainda são raros os grandes nomes que oferecem cursos gratuitamente, por EAD, mas já existem e podem ser encontrados, principalmente nos sites de universidades.

Todos ganham com este conceito, desde a economia de tempo até a maior eficiência no aproveitamento das aulas e possibilidades de efetuar um acompanhamento automático destas.

ONDE ENCONTRAR?

Basta entrar em qualquer site de buscas e escrever a palavrinha mágica: EAD, acompanhada por um tema e provavelmente a maior dificuldade será escolher uma das muitas opções que serão disponibilizadas.

Por exemplo, acabo de escrever +ead +hq no Google e encontrei 150 mil indicações. Já para +ead +otorrinolaringologia foram apenas "pouco" mais que 2 mil indicações. Evidentemente não são todas indicações de cursos, mas provavelmente levam a um curso específico.

PARA QUEM SERVE?

Qualquer pessoa pode se beneficiar de um curso de EAD, sejam doutores ou leigos e o melhor é poder escolher seu próprio horário para fazer o curso de sua preferência.

Nem todos os cursos são totalmente a distância, em algumas atividades é preciso comprovar depois o conhecimento adquirido a partir de uma prova presencial ou então complementar as aulas a distância com aulas presenciais.

COMO SE PREPARA UM CURSO DE EAD?

A criação de um curso não é tão simples quanto possa parecer, mesmo para as atividades mais corriqueiras é sempre necessário fazer parte de uma boa equipe, que costuma reunir especialmente educadores, artistas gráficos e técnicos de informática, além - evidentemente - de pelo menos um especialista na atividade que será ministrada.

Cabe aos educadores avaliar a qualidade pedagógica do curso, aos artistas a criação de elementos de multimídia e aos técnicos disponibilizar o resultado do trabalho.

Eventualmente acontece de uma única pessoa dominar todo o conceito e fazer todo o trabalho sozinha, mas isso será a exceção.

Um dos mais difundidos sistemas para uso de EAD chama-se Moodle. Trata-se de uma excelente ferramenta e tem a vantagem de ser distribuído como programa de código aberto, portanto gratuito, mas esta não é a única qualidade do Moodle, pois por ter sido desenvolvido por educadores, já traz embutidos no sistema os mais recentes e avançados recursos.

FINALIZANDO

O tema é extenso, as opções são muitas, minha intenção foi levantar o tema, buscar interessados e certamente voltarei ao assunto se ficar claro que os leitores deste espaço tem interesse.

terça-feira, 4 de março de 2008

A DEMOCRATIZAÇÃO DA FOTOGRAFIA

Zelman Sirota é um emigrante russo, que poderíamos chamar de retratista, pois em seu laboratório no Rio de Janeiro se especializou em retocar retratos. Usava técnicas desenvolvidas por ele mesmo e chegava a pintar direto nos negativos, tive o prazer de ver e acompanhar seu trabalho quando ele já contava com mais de 80 anos e me contratou para lhe ensinar a usar os computadores, na época micros da linha Amiga, que já não existem mais no mercado desde 1994, mas eram o máximo em tecnologia no final dos anos 80, quando tive o prazer de conviver com este gênio das fotos.

Não sei se ele aprendeu a usar os computadores como queria, perdemos o contato faz algum tempo e já o procurei na Internet, mas apenas acho algumas reportagens citando sua genialidade em lidar com as fotos, que costuma-se chamar - erradamente - de analógicas, mas isso é uma discussão para outro(s) texto(s).

Lembrei de Sirota ao escrever estas linhas, justamente porque, mesmo sendo um gênio da fotografia em filme, foi um dos primeiros a entender que a fotografia digital seria um avanço nesta atividade e não um retrocesso, como vaticinaram - e ainda choramingam - uns e outros inconformados, que acham que só o que pertence ao passado é bom.

A fotografia digital veio pra ficar e nem há porque discutir mais esta questão, mesmo porque nada impede que aqueles que preferem o velho modelo, continuem a exercer sua arte, ficou mais caro e mais difícil, mas isso não deve ser problema para Sebastião Salgado, um dos mais expoentes representantes da velha geração de fotógrafos.

Aliás, o que sempre impediu de existirem mais pessoas como o Sebastião Salgado sempre foi o alto custo de um filme, da revelação e das próprias câmeras.

Sempre fui um apaixonado por fotografia, mas somente lá para os 14 anos consegui colocar minhas mãos em uma máquina Xereta da Kodak, mas quem disse que eu tinha dinheiro para comprar ou mandar revelar os filmes?

Aos 18 consegui comprar minha primeira câmera decente, lembro até da marca e referência, era uma Olympus Pen EE, que duplicava o negativo e a razão da escolha era simples: economia, mas o que economizava em filmes, gastava em revelação, não houve muito lucro.

Mesmo assim, na primeira oportunidade comprei uma outra Olympu3s que além de duplicar permitia intercâmbio de lentes, uma maravilha, mas se tirei um milhar de fotos foi muito, não creio que chegou a isso, Pelé certamente fez mais gols do que as fotos que tirei nesta época. Mantive esta máquina até 2008, quando a dei de presente para Amanda, uma mocinha de 17 anos, filha da minha companheira, provavelmente nem irá usar mas ficou deslumbrada quando a viu e lhe dei de presente, assim saberá - ao menos - como eram as câmeras antigas, duvido que eu mesmo fosse utiliza-la mais, algum dia.

Minha primeira digital era uma tristeza, outra Kodak que nem lembro o modelo e que permitia tirar mirradas 4 fotos em resolução de 320x200, algo meio lamentável e que fez muita gente desacreditar da fotografia digital, realmente não dava pra botar fé na qualidade das fotos tiradas por este tipo de máquina.

Logo em seguida consegui colocar as mãos numa maravilhosa Mavica, que permitia - vejam só - gravar as fotos em um disquete de 3 1/2 e facilitava em muito o trabalho de passar para o computador, já que naquela época (mais ou menos 1995) uma conexão USB ainda era novidade na maioria dos computadores.

Peço desculpas pelo enorme prólogo, antes de entrar no assunto do título, mas eu queria deixar claro que não fiz apenas uma pesquisa na Internet para falar deste assunto, vivi uma realidade e tenho agora o privilégio de viver outra.

Outro dia vi um garoto de apenas 4 anos tirando fotos como gente grande, ele provavelmente nem sabe escrever ainda, mas já sabe tirar fotos, fiquei olhando para aquilo e pensando nas possibilidades de se tornar um futuro Sebastião Salgado, alguém capaz de congelar momentos especiais por onde andar.

Por falar em Salgado, a reportagem fotográfica assumiu outra dimensão com as modernas câmeras digitais, ainda num sábado próximo uma fotógrafa da Câmara Municipal tirou uma foto minha e deveria aparecer na tela de um notebook um dos meus trabalhos, a caricatura a partir de fotos digitais, duvidei que a imagem tivesse sido corretamente captada e fui conferir... estava lá, nítida, a tela do computador e tudo mais
que precisava aparecer na foto.

Com equipamentos assim é possível um reporter fotógrafico enviar sua imagem quase que imediatamente para a redação de um jornal ou revista, com qualidade excepcional, sem contar que as câmeras modernas tem recursos nunca antes imaginados e permitem fotos perfeitas nas piores condições.

Com esta facilidade quase todo mundo está se apaixonando pela fotografia, os jovens andam com seus celulares e registram tudo, acompanho a vida de meus 20 e tantos sobrinhos apenas observando suas páginas no Orkut, tá tudo lá, cada lugar que eles vão são montes de fotos.

O avanço da tecnologia também permite que estas fotos sejam trabalhadas de várias formas com a manipulação digital, permitindo que surjam novos talentos, quem sabe vários Andy Warhol, novos Picassos e até mesmo um Van Gogh, embora nenhum destes nomes tenha muito a ver com fotografia, mas são artistas que não aceitaram a arte como ela era imposta, criaram seus próprios caminhos.

E é isso que a fotografia digital está fazendo, permitindo que as pessoas escolham seus caminhos, que dominem uma arte que já foi privilégio de uns poucos, com mais recursos.

A democratização acontece porque a câmera digital está ao alcance de praticamente qualquer pessoa, já inclusive promovi campanhas para que as pessoas esvaziem seus armários e gavetas de câmeras velhas e as doem a entidades ligadas ao desenvolvimento social, para permitir que os menos favorecidos possam ter acesso a esta tecnologia, primeiro passo para a abertura de um mundo novo e até mesmo de uma profissão.

Em 2005 tentei desenvolver um projeto na ilha de Paquetá, RJ, onde eu vivia. Como é um local turístico quis pegar as crianças da ilha e transformá-los em fotógrafos mirins, mas encontrei muita resistência, inclusive de pessoas que não entendiam que para eles não seria um trabalho e sim uma diversão. Felizmente não eram todos e encontrei até mesmo um fotógrafo local que dava as crianças curso gratuíto de fotografia, mas usando câmeras tradicionais.

Depois tentei o mesmo em Campo Grande, MS e até obtive algum apoio das autoridades locais, mas o apoio não se traduziu em fatos e este tipo de trabalho não tem muita utilidade se não houver quem dê continuidade, não adianta apenas eu acenar para um garoto muito pobre com o manuseio de uma câmera digital se este trabalho não tiver continuidade.

Mas vamos voltar a questão da democratização com aqueles que já puderam comprar sua câmera, especialmente aquele garotinho de 4 anos, que tive o prazer de ver manipular uma cãmera com a maior desenvoltura.

A foto digital não termina no click e no envio para um computador, na verdade é aí que a diversão começa pois as possibilidades começam a ficar infinitas quando descobrimos programas como o Picasa 2, que é absolutamente gratuito e fornecido pelo gigante Google.

Além de permitir que qualquer um - sim, QUALQUER UM - mesmo sem conhecimentos de uso de programas gráficos manipular e corrigir fotos, o Picasa ainda permite que se envie as fotos para a web ou se grave um CD/DVD para que elas possam ser vistas diretamente na TV. É um programa fantástico.

Mas não vou me estender sobre o Picasa agora, apenas digo que é um programa essencial, basta baixar no seu site favorito de download ou pesquisar no próprio Google.

A fotografia é uma das mais empolgantes formas de arte, pois ela não exige que a pessoa tenha um talento nato, como o de desenhar e tampouco exige grande dedicação para ser aprendida, o "olhar fotográfico" é algo que se pode adquirir com o tempo e as técnicas de fotografar estão ao alcance de qualquer um que resolva dedicar algum tempo a este emocionante hobby.

E as câmeras evoluíram muito, até mesmo aquelas vendidas pela televisão e onde o apresentador mente, dizendo que não precisam nem de computador, já estão em um nível de qualidade excelente, que permite a revelação com qualidade.

As câmeras de celulares também estão evoluindo muito e já alcançaram o patamar do megapixel, que é essencial para um minimo de qualidade nos resultados.

E nem toquei ainda no assunto FILMAR, com as câmeras atuais qualquer um pode se candidatar a ser um Spielberg e mostrar seu talento ao mundo, usando principalmente sistemas como o You Tube, um dos maiores sucessos de mídia dos tempos modernos e que ainda vai surpreender muita gente.

Então... você ainda não tem a sua? Ou tem e não prestou muita atenção ao que ela permite fazer?

Por enquanto é só, esta é minha primeira participação neste veículo e para o público de Ribeirão Preto, cidade onde vivi minha infância e para onde retorno, após 30 anos viajando por aí e fotografando muito.