terça-feira, 15 de julho de 2008

HISTÓRIA DA INFORMÁTICA NO BRASIL - PARTE IV

A RESERVA DE MERCADO

Quando os militares assumiram o governo do Brasil, entenderam que deveriam fazer algo para preservar o avanço do país em tecnologia e criaram uma lei que passou a ser conhecida como "Reserva de Mercado".

Era uma lei bastante complexa e até bem intencionada e acredito que não se possa culpar os militares pelo atraso tecnológico que causou ao país, mesmo porque todo o atraso veio também das diversas formas e artifícios que alguns empresários utilizaram, usando falhas ou deturpações desta lei.

Basicamente a lei pretendia impedir a entrada no país de computadores comprados no exterior, para um computador ou equipamento eletrônico ser vendido no Brasil era preciso cumprir uma série de regras, sendo que a maioria delas eram desastrosas, do ponto de vista comercial, isso fez com que as grandes empresas de tecnologia simplesmente passassem a ignorar o Brasil.

A idéia por trás da lei era obrigar as empresas a transferir tecnologia para as empresas nacionais e também garantir a subsistência destas empresas em um mercado muito novo, que começava a se formar, o dos computadores.

Para garantir e fiscalizar o cumprimento da lei foi criada a SEI (Secretaria Especial da Informática) que passou a responder por qualquer atividade ligada a hardware e software no país. Este autor tem o duvidoso privilégio de ter 4 programas registrados na SEI, são jogos de computador e provavelmente os primeiros deste tipo a procurar o orgão para registro, pelo menos é o que sempre me disseram, mas não há como saber, de qualquer forma tive a oportunidade de conviver - em todos os níveis - com aquela época confusa.

Não era fácil, lidar com os programas e equipamentos que a SEI aprovava era um teste de paciência e resignação para qualquer um.

SOFTWARE

O Brasil está - ainda nos dias de hoje - muito atrasado em termos de criação de software, praticamente não existe nenhum software brasileiro que tenha sido sucesso mundial e isso vem desde os anos 80.

A lei, que pretendia facilitar a vida dos criadores acabou fazendo o efeito contrário, pois sem acesso a bons computadores como se podia pretender que as pessoas desenvolvessem algo?

Um dos softwares de maior sucesso junto ao meio empresarial chamava-se "Carta Certa" era um editor de textos, similar ao Word, mas fora o fato de serem ambos editores de texto as similaridades ficam apenas por conta da imaginação. O programa era tão esquisito que usava a tecla ESC para aceitar uma entrada, sendo que a tecla ESC (de ESCAPE) sempre foi utilizada universalmente para SAIR de algo, para finalizar, no Carta Certa usavam para entrar dados.

O programa era terrível, usá-lo era um sacrifício, mas era praticamente obrigatório, já que outros excelentes programas editores de texto simplesmente não podiam ser comprados pelas empresas, uma vez que não atendiam as especificações mínimas da Reserva.

Programas mais complexos, na área de engenharia, CAD, ou sistemas eram simplesmente impossíveis de serem criados, restava a quem quisesse utiliza-los gastar muito dinheiro para convencer a SEI de que não existiam similares nacionais e aí apareciam os espertinhos, que criavam um "similar" e tentavam empurrar para as empresas, tudo com o aval oficial do governo.

Não é por acaso que muitos dos "empresários" ligados a estas empresas da picaretagem eram parentes de militares ou os próprios, já que para estes sempre foi mais simples resolver os infinitos entraves burocráticos que impediam o progresso nesta área.

Não quer dizer que não se fez nada no Brasil, o país é pioneiro em tecnologia de sistemas bancários e sistemas para gerenciar lojas e industrias surgiram, mesmo com todas as limitações. Vi um destes exemplos bem de perto quando tive oportunidade de trabalhar na Chocolate, uma franquia de roupas para mulheres que foi pioneira em Automação Comercial e contava com excelentes programadores em seu quadro de funcionários e criou todo o seu sistema a partir de conhecimentos próprios.

Mas são exceções que confirmam a regra, nos demais setores o Brasil ficou praticamente congelado, nada se fazia e não aconteceu o esperado desenvolvimento tecnológico.

HARDWARE

Na área de hardware o buraco era ainda mais embaixo, os defensores da SEI esperavam que as empresas transferissem tecnologia de ponta para empresas brasileiras, aceitassem ter menos que 10% do capital destas empresas e ainda que os empresários fossem honestos. Era querer demais.

Com isso proliferaram as "marcas nacionais" de computadores que simplesmente desrespeitavam direitos autorais e utilizavam-se descaradamente de processos de engenharia reversa para criar falsos computadores "brasileiros" que na verdade não passavam de clones de computadores famosos no exterior.

Um dos casos mais escandalosos foi o da empresa Microdigital, que "fabricou" diversos clones e colocava neles sua marca. Como a série TK (Abreviatura dos nomes dos dois donos da empresa) que era cópia mais que descarada de um famoso computador criado por Sir Clives Sinclair, tão simples e tão bem feito que começou sua vida no Brasil em revistas de eletrônica, podendo ser montado por curiosos ou técnicos com conhecimentos de eletrônica. O TK não era o único computador da Microdigital, mas certamente foi o mais popular, a verdade é que eles copiaram praticamente todos os modelos que existiam na época e a empresa era vista como uma "gigante" na área.

A empresa oficial do governo, a Cobra, praticava exatamente o mesmo delito, mas certamente o fez em esferas diferentes e os computadores da Cobra acabaram sendo o padrão para universidades, bancos e órgãos influenciados pelo governo, como eram sistemas de maior porte o público não tinha noção do que acontecia e o povo achava que o Brasil "crescia" nesta área.

Voltando ao TK, os advogados do verdadeiro criador do micro abriram um processo contra a indecente pirataria que estava sendo praticada as vistas de todos e o resultado do processo demonstrou em que nível o país se encontrava. Um juiz deu ganho de causa a Microdigital, afirmando que haviam pequenas diferenças entre os equipamentos e que isso não permitia aceitar a clonagem.

Sinclair deve ter se conformado, reza a lenda que foi feito um acordo entre sua empresa e os demais fabricantes do seu excelente micrinho pois outras empresas seguiram o mau exemplo e o micro ZX, de Sinclair chegou a ser pirateado por até 4 empresas, todas sob o aval da Reserva de Mercado.

Falo destes micrinhos pouco conhecidos porque eram os mais populares, os que efetivamente chegavam a casa das pessoas, já que os "grandes" computadores eram ainda privilégio de uns poucos.

E entre os micros podemos colocar os vídeo games, o Atari 2400 teve sua estréia no Brasil como uma das maiores muambas já feitas, a Mesbla, que na época era uma das maiores lojas de varejo do país, trouxe o console em um Natal e afirmava que ele tinha sido produzido em Manaus, mas sabe-se que o máximo que fizeram em Manaus foi mudar o chip que controlava a cor do equipamento, já que nos EUA o sistema era NTSC e no Brasil era PAL-M, para o videogame funcionar nas TVs brasileiras era preciso fazer um processo chamado transcodificação.

A industria da televisão e vídeo e dos automóveis foi uma das mais prejudicadas com a Reserva de Mercado, os chips eram considerados material de informática e tinham que ser submetidos a aprovação da SEI, imagina-se o mar de corrupção que não foi gerado e enquanto isso o brasileiro pagava caro por material de segunda categoria, muambado ou até mesmo falsificado.

Quando Collor de Melo assumiu a presidência e assinou oficialmente o fim desta lei, fez certamente seu único ato decente de governo, embora a lei já estivesse insustentável quando Collor assumiu seu mandato.

O FIM DA RESERVA

O que veio depois é conhecido, o Brasil hoje já está entre os países que mais utilizam a tecnologia em todo o mundo, mas ainda não nos recuperamos de praticamente duas gerações que não puderam acompanhar o resto do mundo e ter acesso a tecnologia, enquanto Bill Gates brincava na sua escola com supercomputadores os garotos brasileiros (onde se inclui este escrevinhador) mal conseguiam ter acesso a uma máquina de escrever e este custo não tem como recuperar, temos no Brasil um buraco tecnológico de mais de 20 anos e por isso mesmo a Índia, China, Coréia e tantos outros países com menos recursos estão se destacando na área tecnológica, em software e hardware.

Chegaremos lá, hoje vejo com muita felicidade que até mesmo os jogos de computador começão a ser aceitos como uma profissão do futuro no país onde criadores de jogos eram vistos como marginais ou - na melhor das hipóteses - crianças crescidas que não tinham muito o que fazer.

O Brasil tem excelentes talentos, há programadores brasileiros se destacando em todas as áreas, mas praticamente não fabricamos chips, até mesmo simples memórias só começamos a fabricar recentemente e não existe nenhum gênio de informática que tenha escrito ainda seu nome na história e seja brasileiro.

Com toda a certeza, enquanto o mundo sofria a revolução da informática o Brasil e seus governantes achavam-se muito espertos e como sempre a conta é apresentada a nós, o povo.

E a lição aparentemente não foi aprendida ainda, recentemente começamos a usar TV de alta definição no país e copiou-se um erro dos mais crassos que a Reserva de Mercado permitiu, quando tivemos a pretensão de inventar um novo sistema de codificação de cores, sistema este que só sobrevive graças a grande base instalada, mas quase não se vê mais TVs que usem o sistema PAL-M e com o advento da TV digital os sistemas deixarão de ser importantes.

O que se fez no caso das TVs foi optar por não adotar nenhum dos sistemas já existentes no resto do mundo, novamente o Brasil sonha grande demais e julga que pode criar seu próprio sistema, quando na verdade não dispõe de mentes geniais o suficiente para isso e ficará dependente de outros países, neste caso o Japão, que encontra nos brasileiros o apoio para seu sistema, que até então estava perdendo para os adotados nos EUA e na Europa.

E com isso perde-se tempo, perdem-se oportunidades e gasta-se o dinheiro que suamos para ganhar.

Mais detalhes, perguntas ou sugestões a respeito deste tema serão bem vindos na lista criada para esta coluna.

terça-feira, 8 de julho de 2008

GERAÇÃO PENDRIVE

Minha primeira preocupação quando decidi escrever sobre este assunto foi tentar descobrir qual termo seria correto: pen drive, pen drive, pendrive ou ainda pen-drive e ainda as variações possíveis terminando por driver ao invés de drive.

Confesso que fiquei ainda mais em dúvida, pois em cada lugar se escreve de um jeito e no site da Kingston, um dos mais conhecidos fabricantes deste dispositivo simplesmente uma busca pelo termo ou variações resulta em "não encontrado", lá chamam de flash memory ou data traveler.

Preferi ficar com pendrive, que me parece o mais adequado, primeiro por ser um termo novo e segundo porque o encontrei em matérias de alguns dos jornais mais famosos do país.

Mas o que vem a ser um pendrive?

Basicamente é a junção de dois dispositivos, um conector USB (Universal Serial Bus) com uma memória flash, ou seja, uma memória eletrônica, capaz de manter dados sem alimentação.

Não existe um único modelo de pendrive, eles podem vir sob diversos aspectos ou dotados de diferenciais que ampliam sua capacidade ou função, alguns modelos são dotados de sofisticados sistemas de encriptação que impedem o uso dos dados por terceiros no caso de perda.

Recentemente tem sido tema de reportagens sobre segurança de dados pois estes pequenos dispositivos tem sido utilizados para espionagem, devido a facilidade com que podem ser transportados ou conectados a um computador.

E sua capacidade tem crescido exponencialmente, a ponto de um pendrive de 1 GB estar custando por volta de 20 reais e isso não é preço de comércio alternativo, é o preço que ele custa em lojas que pagam impostos. A razão é bastante simples, com a capacidade aumentando os pendrivers de menor capacidade começam a se tornar obsoletos.

E não são apenas os pendrives de menor capacidade que estão perdendo mercado, junto com eles vão outras mídias que antes eram utilizadas, especialmente o velho disquete de 3 1/2 polegadas, juntamente com seus acionadores, que deixarem de fazer parte dos computadores mais modernos já faz algum tempo.

Até mesmo os HDs começam a se tornar obsoletos, uma vez que alguns pendrives tem capacidade maior e custo menor, ocupam menos espaço e gastam menos energia, a tendência é irreversível.

Os CDs e DVDs também foram afetados, antes eram usados como um bom substituto para transporte de dados e atualmente voltaram a ser utilizados para suas finalidades iniciais, que era transportar músicas ou filmes, mas até mesmo nesta área começam a perder terreno para os pendrives que ameaçam ocupar também estas áreas.

VANTAGENS DE UM PENDRIVE

Comparado com outras mídias, o pendrive oferece especialmente mobilidade, é normal encontrá-lo pendurado no chaveiro das pessoas e modelos mais compactos correm até o risco de serem difíceis de serem encontrados, de tão pequenos.

A rapidez de acesso também é um fator que diferencia o pendrive de outros dispositivos de armazenamento de massa, por enquanto ele perde apenas para HDs de alta performance em tempo de acesso, sem contar que não precisa de um equipamento adicional para ser lido ou gravado... ou melhor dizendo, precisa sim, precisa de um dispositivo USB, mas este tipo de dispositivo é dos mais baratos e não se vê mais computador sem ele.

Na verdade, os conectores USB começam a tomar conta de tudo quanto é tipo de equipamento, já são encontrados em equipamentos de áudio, em celulares, em geladeiras e até em churrasqueiras, eu ri muito quando vi o anúncio de uma churrasqueira com USB mas depois pensei bem e entendi que não deixa de ser interessante.

Pendrives com criptografia tem excelentes aplicações comerciais pois são um meio seguro e eficiente de transportar dados, evidentemente este tipo de pendrive não está ao alcance de qualquer um, pois custam muito mais caro que os outros.

Eles estão invadindo também a área dos consoles de games e se o custo de produção ficar abaixo dos atuais CDs ou DVDs utilizados para os games é bem provável que sejam os futuros cartuchos de jogos e com certeza serão mais difíceis de serem pirateados.

O mais interessante é que as novas gerações de usuários de micros já vêem o pendrive como algo natural, eles jamais passarão pelo sufoco de ter que aguardar minutos enquanto um computador lia uma fita K7, ou mesmo um disquete e muitos não tem paciência nem para esperar o acesso a um pendrive... acham muito lento.

É um daqueles dispositivos que marcam a história e fazem diferença, provavelmente em alguns anos serão substituídos por algo ainda menor e mais eficiente, disso não tenho dúvidas, mas até lá terão deixado sua marca.

Hoje estava lendo uma matéria que escrevi em 1995, sobre Edição Não Linear de vídeo e na matéria eu informava que o custo de 1 gb de memória de HD era de mil dólares, a matéria pode ser lida no seguinte link:http://www.datacassete.com.br/revistas/informatica_cpu/informatica_cpu_03.pdf, está na página 20 de uma antiga revista de informática e o site acima serve de referência para quem se interessa pela história dos computadores pois guarda um respeitável acervo de revistas, manuais e outros tesouros.

Comecei a imaginar o que faria com um pendrive de 1 GB naqueles tempos mas cai logo do meu delírio pois naqueles tempos os computadores simplesmente não tinham conectores USB... os pendrives simplesmente não funcionariam.

terça-feira, 1 de julho de 2008

CINEMA X INTERNET

Sou fã de cinema desde a mais tenra idade, ainda me lembro da sessão do King Kong, primeira versão, que assisti por volta dos 10 anos - era reprise, a versão original era de 1933 e eu tinha 10 anos em 1967 - e confesso que fiquei abaixado a maior parte do tempo atrás da cadeira.

Naquela época eu gostava de filmes do Tarzan e não fazia a mínima idéia do que eram atores ou diretores, a informação era pouca, basicamente sabiamos o que estava nos cartazes dos filmes e só.

Hoje, a Internet e o cinema estão perfeitamente integrados, os filmes possuem websites promocionais e já houve até casos de filmes que se tornaram famosos mais pelo sucesso que fizeram na Internet do que pelas suas qualidades, como foi o caso do filme "A bruxa de Blair", fartamente divulgado através da Internet mas deixando a desejar na telona. O mesmo não ocorreu com "Matrix", que teve excelente divulgação na web mas foi ainda melhor na tela.

Todos sabem que o assunto principal da Internet são as atividades relacionadas com sexo, em segundo lugar vem os games e em terceiro vem o cinema, incluindo-se as séries, filmes feitos para TV e todas as atividades paralelas relacionadas com a sétima arte.

E não são apenas comentários, horários dos cinemas ou sinopses, a Internet acabou se tornando um grande distribuidor de filmes, através de redes ponto a ponto, que associadas a excelentes formatos de compactação, permitem o livre trânsito de todos os tipos de filmes, novos ou antigos em uma atividade frenética que ignora leis e direitos.

A própria industria cinematográfica está se adaptando aos novos tempos, descobriram que não adianta ficar brigando com as pessoas, o que precisam fazer é utilizar em seu favor esta tecnologia e não brigar com ela.

O mais provável é que em pouco tempo os cinemas só exibam filmes em formato digital e não será mais necessário ficar enviando rolos de filme para o mundo todo, um simples ponto de Internet permitirá ao cinema exibir um filme com transmissão em tempo real.

Os sites dedicados a cinema também fazem bastante sucesso, meu preferido sempre foi o www.imdb.com uma fantástica biblioteca de informações onde nunca mais ficaremos em dúvida sobre quem fez determinado papel ou quem dirigiu tal filme, no IMDB tem tudo isso e muito mais e é grátis, como são as boas coisas da Internet.

Hoje se pode até comprar a entrada a partir do seu computador, imprimir e levar para o cinema, dá pra ver qual o horário ideal, ler a sinopse e até mesmo ver um trailler, direto na sua telinha.

E depois do filme, ainda é possível chegar em casa e baixar jogos com a temática do filme e ampliar a diversão.


Mais detalhes, perguntas ou sugestões a respeito deste tema serão bem vindos na lista criada para esta coluna.

terça-feira, 24 de junho de 2008

HISTÓRIA DA INFORMÁTICA NO BRASIL - PARTE III

O FANTASTICO AMIGA

O engenheiro eletrônico Jay Miner, falecido em 1994, tinha um projeto na cabeça. Era um visionário, da mesma cepa que Paul Allen, Steve Jobs, Clive Sinclair e tantos outros gênios que são os responsáveis pelos fantásticos microcomputadores que utilizamos atualmente.

O sonho de Jay era bastante pretensioso, queria construir um computador capaz de processar textos, imagens e sons, ter multiprocessamento e tantos outros recursos que poucos acreditaram em sua idéia.

O leitor ou a leitora mais atentos afirmarão que qualquer notebook tem tudo isso, mas para entender porque Jay era um visionário precisamos voltar ao início dos anos 80, quando estes recursos eram praticamente impossíveis em qualquer computador.

Mas exatamente em 1984 Jay conseguiu sucesso em seu empreendimento e lançou o computador Amiga 1000, que possuía todos aqueles recursos e em 1985 foi ainda mais longe e lançou uma versão tão simplificada, o Amiga 500, que era até difícil acreditar que aquele computador, praticamente do tamanho de um teclado (dos atuais) pudesse ter tantos recursos.

A história do Amiga é impressionante, mas se começar a contá-la vou fugir do objetivo inicial, que é contar a história da informática no Brasil e o Amiga faz parte dela.

Assim que foi lançado nos EUA, o Amiga também começou a conquistar alguns usuários no Brasil. Como era um computador pouco conhecido, não havia muitos que soubessem de sua existência e apenas uns poucos felizardos tiveram a felicidade de começar a usar o Amiga desde seu lançamento nos EUA. Eu mesmo, que fui um dos maiores divulgadores deste computador, só consegui meu primeiro Amiga (um modelo 500) em 1988 e desde então passei a ignorar os demais computadores que existiam.

Em 1991, o Amiga saiu da lista dos computadores que só entravam no país através de contrabando e passou a ser "fabricado" no Brasil, pela empresa PCI, que lançou o modelo Amiga 600, com grande campanha publicitária.

Na verdade o Amiga 600 não era fabricado, mas sim montado no Brasil. A PCI investiu pesado em divulgar o equipamento por aqui e posso atestar isso particularmente, já que fui contratado pela empresa para promover a marca e minha maior contribuição foi convencer os diretores de que o Amiga 600 não era um modelo adequado para o pais e devo ter sido ouvido pois em breve a empresa estava fabricando o Amiga 1200, o melhor modelo da linha, no quesito custo/beneficio. E também consegui que o Amiga 4000, o mais potente de todos fosse trazido para o país, a um custo bastante salgado, o que inviabilizou bastante a venda deste modelo, embora o Amiga 1200 tenha sido um sucesso.

Mas em 1994, soprou um vento mortal no Canadá e a Commodore, empresa que detinha os direitos da linha Amiga em todo o mundo, foi decretada como falida.

Foi uma tremenda ironia, pois justamente nesta época o Amiga se tornava conhecido no Brasil e começava a ser aceito e reconhecido, mas a falência da empresa principal fez a PCI abandonar a linha e com isso decretou-se o fim do Amiga também em nosso país.

Particularmente a falência da Commodore foi marcante em minha vida pois eu me dedicava a este computador já há mais de 8 anos e praticamente toda minha vida circulava em torno da linha Amiga, eu dava aulas, consultoria, desenvolvia produtos para o micro e tinha dois livros sobre ele, pronto a ir para a gráfica, sem contar que colaborei com a criação de todas as revistas especializadas, criadas especialmente para divulgar a linha.

Muitos micro empresários, especialmente ligados a produção de vídeo e áudio também ficaram orfãos, mas se entrarmos em uma produtora de video ou áudio, mesmo nos dias de hoje é possível ainda ver Amigas em plena operação, fazendo seu trabalho.

Foi mais um excelente computador que os brasileiros viram desaparecer e se tornarem anônimos.

Minha sorte foi que a Internet chegou ao Brasil praticamente junto com o fim da era Amiga e assim pude me dedicar a esta nova onda e absorvi bem a transição. Foi quando comecei a usar os micros da linha PC... mas isso é outra história.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

UTILIDADE PÚBLICA

A Internet presta serviços inestimáveis e ainda assim muitas vezes é lembrada apenas como um lugar "perigoso" onde habitam pessoas malignas, capazes de prejudicar a vida de alguém apenas por descobrir seu email.

Não deixa de ter um fundo de verdade, um simples email pode se tornar um verdadeiro martírio se for enviado para alguma lista de spammers, que são a personificação virtual de todos os seres malvados do universo. A boa notícia é que faz mais de 10 anos que trocar de email deixou de ser um problema, atualmente é possível trocar de email como quem troca de meia (se me perdoam o trocadilho) sem contar que diversos serviços oferecem email seguro e quase livre de spam, como o Gmail, por exemplo.

Mas o assunto de hoje não é exatamente email, que é apenas um dos muitos serviços que a Internet oferece e também um dos mais importantes pois quem não tiver um email não poderá usufruir de alguns dos benefícios que vou listar.

ONDE ESTOU, PARA ONDE VOU?

Quem já não precisou descobrir o endereço de um lugar e ter a localização do mesmo a mão? É relativamente fácil quando se tem uma lista telefônica em casa (elas costumam ter mapas) e o endereço fica na mesma cidade. Mas e se queremos descobrir um endereço e um roteiro para chegar lá em outra cidade?

Continua fácil pois sites como o www.telelistas.com.br permitem a consulta on line as listas telefônicas de todo o país, basta digitar o endereço desejado e se não souber o endereço mas apenas um nome ainda continua sendo possível pesquisar.

E não são apenas as listas telefônicas, sites como www.apontador.com.br ouwww.maplink.com.br ou o omnipresente Google, com o http://maps.google.com, que é meu preferido.

Estes sites mostram endereços completos, com mapas de alta qualidade e roteiros explicando como chegar de um ponto ao outro. É possível descobrir como ir de uma cidade a outra ou apenas descobrir a localização de uma rua.

Em alguns locais já é possível observar webcams em locais públicos, como nowww.world-cams.be/ que permite pesquisar webcams em todo o mundo e o Google criou um serviço que permite visualizar alguns pontos no mapa em 360 graus, por enquanto apenas em algumas cidades dos EUA, mas em breve no mundo inteiro.

O mais interessante é que a maioria destes serviços permite a inclusão de sua empresa ou endereço pessoal no mapa e muitos deles não cobram nada por isso.

Se o seu negócio ainda não está no mapa não é por falta de suporte e sim por desconhecimento.

JUSTIÇA ON LINE

Nunca foi tão simples acompanhar um processo ou solicitar informações sobre a justiça. Praticamente todos os tribunais do Brasil estão On Line e não precisa ser formado em direito (embora isso permita alguns privilégios) para poder fazer uma consulta a processos ou até mesmo fazer uma simples pergunta a um órgão, como o PROCON, por exemplo.

E não é só isso, aos poucos os cartórios brasileiros estão sendo informatizados, no estado de São Paulo já é possível solicitar diversos tipos de certidão através da Internet e espera-se que em breve todos os cartórios do Brasil estejam informatizados, como já ocorre em diversos países na Europa.

Mas o que temos a ver com a Europa? Tudo! Quem deseja solicitar cidadania por ser descendente, por exemplo, pode efetuar praticamente todo o processo usando a Internet pois é possível entrar em contato com Embaixadas, Consulados e órgãos diversos e efetuar pesquisas e solicitações.

Recentemente escrevi sobre um site de Genealogia, lá há muitas informações sobre procedimentos deste tipo.

ONDE COMPRAR?

Não é mais preciso "bater perna" para encontrar o melhor preço de um produto, sites especializados como o Bondfaro ou Buscapé fazem o trabalho duro de pesquisar e mostram o melhor preço e endereços das lojas para muitos dos produtos que são objetos de consumo.

Atualmente nem é preciso mais ir a loja, pode-se comprar direto nas lojas virtuais, basta ficar atento e não cair no truque do "preço impossível" especialmente em lojas virtuais desconhecidas e sem endereço fixo. Opte sempre por comprar em lojas conhecidas e se ficar em dúvida procure o endereço fixo da mesma, não encontrando evite a compra virtual. Mas comprar em lojas conhecidas, como as Americanas, por exemplo é garantia de satisfação e tranquilidade.

Praticamente todos os tipos de produtos podem ser solicitados pela Internet, desde uma pizza até um ingresso de cinema, show ou teatro estão disponíveis, especialmente nos grandes centros, que são atendidos por grandes lojas.

Mesmo as pequenas cidades em breve serão atendidas, por serviços como o do sitewww.levoai.com.br que oferece uma forma inovadora de serviços on line.

Além de produtos podemos solicitar serviços, tais como reservas em hotéis, compras de passagens e muitos outros. Uma empresa que não está atualmente na Internet está perdendo uma fatia considerável do mercado.

ONDE ESTÃO MEUS AMIGOS?

Nunca foi tão fácil encontrar um velho amigo, conhecido ou colega de classe. Sites de relacionamento, como o conhecido Orkut permitem localizar pessoas que a gente pensava ter perdido no tempo e espaço.

E não são apenas os velhos amigos ou parentes perdidos que podemos encontrar na Internet, sites de relacionamentos também permitem encontrar aquela pessoa especial que pode lhe acompanhar pelo resto da vida, são muitos os sites que facilitam pesquisar pessoas a partir de pontos comuns.

Estes sites devem ser sempre encarados com cuidado, pois alguns podem trazer armadilhas embutidas. A mais comum delas são os falsos perfis, criados com objetivos diversos que podem variar de uma pessoa má intencionada, que deseja aplicar um golpe ou uma pessoa com problemas de adaptação social. Tais pessoas costumam inventar personagens inexistentes ou se passar por outras pessoas. Desconfie sempre e desconfie de quem fugir de outras formas de contato que não sejam apenas a Internet. Uma pessoa real tem endereço fixo, telefone e envia fotos recentes. Estes dados não são garantia de que se trate de uma pessoa real mas são difíceis de forjar e servem como um primeiro filtro.

Menores de idade, especialmente crianças muito novas, jamais devem manter contato com desconhecidos ou mesmo conhecidos (que podem ser falsos sem a supervisão de um adulto e mesmo os adultos precisam exercer sempre o bom senso ao manter um contato.

Outra armadilha muito comum é a de sites pagos, especialmente aqueles que não cumprem o que prometem e acenam com inscrições gratuitas mas depois se descobre que na verdade é preciso pagar para ter acesso ao mais simples dos serviços. Antes de escolher um site de relacionamentos pesquise na Internet sobre os prós e contras do serviço.

O mais famoso de todos é o Orkut, um site totalmente gratuito mas isso acaba sendo uma faca de dois gumes pois a facilidade de criar um perfil falso permite todo tipo de atividade ali. Recomendo o Orkut e posso ser encontrado lá sob o nome Divino Leitão (ou Holypig) e posso recomendar alguns cuidados básicos na composição de um perfil.

Algumas coisas que não se deve fazer:

- Colocar fotos que permitam identificar o lugar onde mora ou descrever nas mesmas os nomes de parentes e conhecidos pois há criminosos que utilizam tais informações de várias formas. Coloque fotos mas não identifique as pessoas e tenha o cuidado de não mostrar o número de sua casa, placas de veículos ou fornecer informações pessoais, tais como lugar onde a família passa as férias e coisas assim;

- Colocar endereço, telefone e outros dados pessoais visíveis. Colocar o nome da escola onde estuda, por exemplo, pode facilitar um sequestro, evite qualquer dado pessoal fora o próprio nome e sempre que colocar informações para os amigos evite identificar locais pois o cruzamendo de tais dados pode gerar problemas;

- Cuidado com as comunidades que frequenta, participar de uma comunidade ilegal ou de procedência duvidosa pode depor contra o usuário até mesmo na busca de um emprego, pois o RH de muitas empresas pesquisa o Orkut para buscar informações. Entre apenas em comunidades que realmente sejam de assuntos de seu interesse;

- Nunca aceite convites de estranhos, pessoas que não são de seu conhecimento devem ser evitadas a não ser que informem claramente qual o objetivo de estarem querendo fazer parte de sua lista de relacionamentos;

- Use o bom senso, não acredite em ofertas mirabolantes, não clique em links mesmo que pareçam inocentes, inclusive os que vem de pessoas conhecidas pois muitas vezes estas podem estar sendo vítimas de vírus ou outros tipos de problemas.

PROCURANDO EMPREGO...

A Internet é um verdadeiro paraíso, tanto para empresas quanto para quem procura emprego pois é possível pesquisar no mundo inteiro e encontrar o tão sonhado emprego ou um candidato ideal a uma vaga.

A maioria dos sites que oferecem este serviço cobram - e alguns cobram caro - mas há excessões como o excelente www.curriculum.com.br que oferece gratuitamente um excelente formulário para preencher curriculum da forma correta e colocam empregador e candidato em contato de forma muito eficiente.

Ter o curriculum na Internet é importante mas não é única forma de encontrar uma colocação.

Os sites das grandes empresas sempre tem uma área de RH que permite a inclusão de Curriculum ou participar de programas de treinamento, estes programas são ideais para quem está na faculdade e quer encontrar um bom estágio e a partir destes programas as empresas encontram os talentos que buscam.

Quem domina mais de um idioma pode procurar colocações fora do Brasil e participar de diversos programas que poderão melhorar a qualidade do aprendizado em sua área.

ESTUDANDO NA INTERNET

EAD é o termo do momento, é a sigla para Educação A Distância, através da qual é possível estudar nas horas mais adequadas e se formar em atividades diversas, mesmo que o centro de formação se encontre, fisicamente, fora do alcance do candidato.

Existe uma infinidade de cursos e tutoriais gratuitos na Internet, fornecidos por ONGs ou Órgãos Governamentais, por faculdades ou de forma independente.

Cursos de idiomas, por exemplo, podem ser feitos em tempo real, inclusive com recursos de áudio e video e muitos deles são totalmente gratuitos.

O SEBRAE é um dos órgão que mantém uma série de cursos gratuitos, que podem ser feitos integralmente pela Internet no tempo e disponibilidade do interessado.

INFORMAÇÃO EM TEMPO REAL

Os jornais e revistas passaram por uma revisão total desde que a Internet passou a ser uma atividade comum. A maioria dos grandes jornais e muitos dos pequenos também tem sua edição On Line disponível na Internet, muitas vezes antes mesmo de chegarem as bancas.

As revistas estão se adaptando e oferecem a versão digital para consulta ou leitura.

Nem sempre este serviço é gratuito, mas muitos jornais e revistas podem ser encontrados gratuitamente nos sites mantidos pelos editores.

E nem sempre a versão virtual tem apenas o conteúdo publicado pois é comum a versão virtual ter mais conteúdo do que na versão impressa. Entrevistas na íntegra, mais fotos ou pesquisas associadas a uma matéria são encontradas também.

E para quem ainda acha um terror ler informações na tela é possível imprimir ou gravar em MP3 para ouvir a matéria de sua preferência.

Muitas revistas e jornais disponibilizam versões para PDAs ou celulares.


CONCLUSÃO

São tantas as opções existentes que o texto acima sequer mostrou 1% das possibilidades. A idéia foi apenas despertar as pessoas para as o uso consciente e útil que a Internet pode proporcionar e não é necessário sequer ter um computador em casa para poder usufruir destes serviços, quem não tem pode ir numa Lan House e ao custo de R$ 1,00 por hora estudar, consumir ou se relacionar usando a maravilhosa ferramenta que é a Internet.