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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Relatório da Blogosfera

Já falei antes de Blogs e também das minhas aventuras neste mundo em tempos idos, fui um dos primeiros a usar o sistema, no antigo (e ainda eficiente) LiveJournal, ou no completíssimo Multiply, que nasceu junto com o Orkut mas não seguiu a fama deste.

Minha conta no Multiply ainda existe, apesar de fazer algum tempo que não dou atenção a ela e o Multiply é um excelente sistema, não sei porque não faz tanto sucesso quando outros com menos recursos, talvez seja porque os responsáveis por ele não tenham feito uma tradução para o portugues. Quem quiser uma amostra do que é o multiply, acesse minha conta lá:. Já minha conta no LiveJournal provavelmente caducou.

Já falei também que decidi que neste ano iria me dedicar aos Blogs de uma forma mais decente e tenho mantido a palavra, nestes um mês e quinze dias tenho postado religiosamente pelo menos em um dos trocentos blogs que criei, cada um sobre um tema.

O mais bacana não foi ter conseguido manter a rotina de escrever diariamente, encontrar assunto e manter um certo nível, mas foi ver que isso tem inspirado amigos a também escrever.

Logo que comecei, dois amigos dos mais antigos começaram a caçoar que eu não conseguiria manter os escritos mas quando perceberam que eu estava levando a coisa a sério acabaram confessando que gostariam de escrever também, mas não da forma mais profissional que eu encarava, mas de forma mais livre, sem compromisso.

E assim nasceu o Cavernas de Marte , um Blog sem compromisso com coisa alguma e escrito (por enquanto) a 3 mãos (talvez seis, talvez 3 dedos). Ocorre que estes dois amigos escrevem muito melhor que eu, um deles é Renato Degiovani, atualmente residente em Orlândia e que foi editor da primeira revista de microcomputadores do Brasil, a Micro Sistemas e apesar de hoje preferir se dedicar a netinha posso dizer que é o cara que fez eu me interessar em começar a escrever publicamente, chegamos a trabalhar juntos na Micro Sistemas, nos chamacos “bons tempos”. O outro é Claudio Costa, que (ainda) mora em Petrópolis e reza a lenda que mantém um crocodilo no poço do elevador do seu prédio (segundo ele para afastar cobradores). Claudio é um ilustrador de mão cheia, designer, tradutor e dono de uma verve que só ele tem, se considero que o Renato escreve mais que eu, o Claudio escreve mais que os dois juntos.

E não é que estas duas feras resolveram escrever em um Blog, que dividem comigo? Ainda não está valendo, só escrevem lá de vez em quando, mas deve-se julgar a qualidade disto e não a quantidade. Lá sou mais um humilde fã e observador, embora arrisque uns escritos também.

Já meu Blog “oficial” cujo link sempre coloco no final dos meus textos daqui, estou propondo ir na contra-mão da maioria dos grandes Blogs de sucesso. Minha proposta é fazer sozinho o que muitos precisam de uns 10 caras pra fazer, talvez seja presunção minha tentar seguir este caminho e não penso em rebaixar a qualidade dos escritos de blogs que tem vários colaboradores, mas para cada assunto que gosto criei um Blog diferente, com cara diferente, embora eles se integrem. A idéia é levar ao companheiro leitor ou a prezada leitora os assuntos organizados por temas, mas vistos pelo olhar de uma mesma pessoa. Não vou listar todos aqui, que seriam muitos links, mas falo dos meus assuntos favoritos em um blog de Cinema, outro de Jogos, outro recomendando programas, um outro de causos particulares, outro com textos de ficão científica (minha tentativa de escrever em outro campo) e outro com... ih, esqueci, mas tudo bem, vai no Interface Interativa e encontrará os links todos e as explicações de quem é quem, talvez um deles te interesse.

O prazer de fazer estes blogs não foi trazer dois velhos amigos e companheiros de outras aventuras para este mundo, mas clientes meus pediram pra eu configurar um Blog para eles e ensina-los a escrever e estou fazendo isso com o maior prazer, ganhando pra fazer algo que eu faria de graça, é muito bom.
Mas por falar em prazer... o Blog que tem me dado mais prazer é um que fiz para uma amiga muitíssimo querida, a Cidinha. Num domingo estava papeando com ela no MSN e como ela passava por um problema sério de saúde estava pra lá de chateada. Como sei que ela é membro da Igreja Messiânica e dedica boa parte do seu tempo a levar fé e luz para outras pessoas, sugeri que passasse a fazer isso também pela Internet e naquele domingo mesmo o Blog ficou pronto, chama-se Luz no Paraíso e diariamente ela tem escrito nele e me empolga tanto com seus ensinamentos que acabo participando também, justo eu, que sempre me mantive meio afastado destas coisas de Deus, de fé e dedicação, mas venho aprendendo muito e melhorando minha própria existência seguindo um bom exemplo.

Foi uma excelente resolução de ano novo, mesmo porque escrever nestes lugares me mantém ligado e informado, me permite fazer novos amigos e fazer algo que gosto muito... escrevinhar.

Divino é consultor em TI, mais detalhes em http://interfaceinterativa.blogspot.com ou por email, diretamente para divino@gmail.com

terça-feira, 19 de agosto de 2008

História da Informática no Brasil - Parte 5B

O INCRÍVEL SINCLAIR – Parte 2

Continuação do texto sobre Sir Clives Sinclair, (http://en.wikipedia.org/wiki/Clive_Sinclair) e como sua invenção influenciou a vida de muitos brasileiros.

No texto anterior, foi informado como o Tio Clive criou um dos mais eficientes, baratos e interessantes computadores da história da informática. Este fantástico micrinho chegou ao Brasil inicialmente através de hobbystas de eletrônica, que compravam os componentes do computador em separado, montavam a placa e adicionavam uma ROM contendo o SO (Sistema Operacional) criado por Sinclair.

Foram poucos os que tiveram condições de montar o micrinho e fazê-lo funcionar, mas atentos ao interesse do público a empresa Microdigital decidiu montar o experimento em forma de produto e lançou no mercado – com grande sucesso – sua primeira versão do computador, cujas futuras versões passaram a ser conhecidas por linha Sinclair. Outra empresa, também fabricante de computadores entendeu que era um mercado promissor e lançou sua versão.

Assim surgiram o TK-80c e o CP-200, que tinham aparência bem diferente, mas eram compatíveis e rodavam todos os programas compatíveis com o ZX80 que era a versão original do primeiro micro criado pela Sinclair Research, a empresa do Tio Clive.

Os micros Sinclair originais tiveram diversas outras versões e foram recebendo complementos, a última versão conhecida foi o micro Spectrum, que teve vários modelos antes de ser substituído por outro tipo de computador, o Quantum, logo após a venda da Sinclair Research, que já se encontrava quase a beira da falência, o talento do Tio Clive era para criar e não para vender ou administrar, faltou a ele a parceria com alguém com o talento de Bill Gates e se houvesse tal parceria pode ser que hoje todo mundo tivesse um micrinho da linha Sinclair, ao invés destes monstrengos que ainda usamos.

Uma das razões da empresa de Tio Clive não dar certo foi justamente o fato de sua criação ser tão fácil de copiar.

No Brasil, a Microdigital transformou o TK em seu maior sucesso de vendas e explorou os micros durante muito tempo, em várias versões, que apresentava ao público como se fosse criação da empresa, mas não passavam de clones, o TK80 chegou até a versão TK85, quando foi substituído pelo TK90, que correspondia ao Spectrum inglês e tinha imagem a cores, maior capacidade de memória e muitos periféricos interessantes, inclusive digitalizadores, impressora térmica, disco rígido e outros acessórios poderosos para a aparência tão simples do computador, que sempre foi muito pequeno, com mais ou menos metade do tamanho de um notebook atual.

A Prológica não deu tanta atenção a linha Sinclair e se dedicou a clonar outros tipos de computadores e pelo menos mais uma empresa chegou a se destacar no mercado fazendo um clone que tinha características diferentes, era a Ritas do Brasil, originalmente uma fábrica de botões e que resolveu atuar no ramo da informática.

O computador da Ritas chamava-se Ringo e apesar de ser compatível com os programas dos micros da linha Sinclair trazia algumas inovações nos conectores que o tornavam incompatível com o hardware já existente.

Foi justamente esta meia-compatibilidade que tornou o Ringo um fiasco no mercado, pois tecnicamente era superior aos outros modelos vendidos no Brasil, com um teclado mais eficiente e periféricos de última geração, mas a Ritas falhou ao pensar que poderia ser melhor que o próprio criador da linha.

DIREITOS AUTORAIS

Tanto a Microdigital, a Prológica ou a Ritas, jamais pagaram – pelo menos oficialmente – direitos autorais a Clive Sinclair ou a sua empresa.

Alegavam que não estavam copiando o micro e mesmo após a empresa de Tio Clive abrir processo contra os clones brasileiros não foi possível ganhar e ficou famosa a sentença do juiz que julgou o caso e afirmou que os Sistemas Operacionais não eram o mesmo.

Verdade... tanto a Microdigital quanto a Ritas acrescentaram linhas de código ao SO original e certamente não eram idênticos, mas bastaria considerar que mais de 90% do código era idêntico para que a justiça fosse feita.

Mas não foi, os micros continuaram a ser fabricados livremente no Brasil e dizem as lendas urbanas, que foi feito um acordo secreto entre as empresas e os advogados do Tio Clive e tendo ficados todos satisfeitos o micrinho poderia continuar a ser fabricado por aqui.

A Microdigital explorou a linha por muito tempo, mas com a falência da empresa original não havia evolução e – aos poucos – o fantástico micrinho do Tio Clive foi sendo substituído por outras inovações tecnológicas, especialmente os micros da linha MSX, que acabou se transformando numa febre mundial.

SOFTWARE E CRIADORES

Havia muitos programas para os micros da linha Sinclair, poucos criados no Brasil mas é com o orgulho de quem criou parte destes programas que posso afirmar que foram poucos e bons.

Havia programas incríveis para este pequeno computador, que iam dos muito procurados jogos até fantásticos aplicativos, que não deixavam a desejar para os Office da vida que temos que aturar nos dias de hoje e que consomem toneladas de gigabytes. A diferença é que os programas da linha Sinclair usavam poucos bytes, eram normalmente criados em linguagem de máquina e ocupavam espaços minimalistas e nem por isso deixavam de fazer o essencial.

Editores de texto tinham quase todos os recursos que um Word oferece, assim como Bancos de dados e Planilhas e os jogos aproveitavam incrivelmente os recursos do processador.

Verdade que os jogos da linha anterior ao Spectrum exigiam muita imaginação do jogador para entender que um simples asterisco virava uma nave espacial, mas mesmo esta linha contou com um redefinidor de caracteres capaz de transformar mesmo um asterisco no Tie Fighter de Darth Vader.

Os jogos criados por este escrevinhador foram desta fase, o mais popular deles, chamado Cavernas de Marte, tinha como personagens um A que fazia as vezes de um astronauta, um asterisco que fazia as vezes de uma aranha gigante de marte.

E tinha os adventures de texto, o mais famoso deles começou como um projeto pioneiro na revista Micro Sistemas e foi o primeiro jogo em português, criado, produzido e publicado numa revista, chamava-se Aventuras na Selva e posteriormente versões deste jogo, com o nome Amazônia foram criadas para praticamente todos os micros que foram produzidos no Brasil, sempre pelo criador original, Renato Degiovani, com o qual me orgulho de ter aprendido muito pois era meu ídolo na época e atualmente um grande amigo, ainda envolvido com a produção de jogos, mas só nos intervalos em que cuida da netinha.

Nem Renato nem este escriba chegamos a ganhar algum dinheiro com a produção de jogos ou programas nesta fase da informática brasileira e infelizmente os tantos outros excelentes profissionais que também se arriscaram no difícil mercado do software tiveram o mesmo destino.

Mas se alguém quiser fazer uma pesquisa e procurar na diretoria das maiores empresas de informática da atualidade ou entre os mestres da informática de hoje pode ter certeza que usaram, em sua infância ou juventude um micro da linha Sinclair e nove entre dez deles vão dizer que começaram a se interessar pela informática por conta deste computador.

Já o Tio Clive vai muito bem, obrigado, ao vender sua empresa assinou um contrato onde ficou proibido de criar outros micros, mas não fica impedido de criar, sendo assim lida ainda com novidades, gosta especialmente de criar robots, como sempre ele está a frente dos demais e recebeu o título de Sir, uma das maiores honrarias de seu país, justamente pela contribuição que deu a humanidade com sua criação.

Em nome de todos os brasileiros – eu inclusive - que foram iniciados na informática por este fantástico computador agradeço a Sir Clive Sinclair, que carinhosamente chamei de tio nestes parágrafos e ao mesmo tempo peço desculpas por não terem adequadamente pago o que seu feito valia.